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Edvaldo troca o suplente, mas o problema parece estar na candidatura

Há troca que muda o jogo. E há troca que apenas muda o nome na ficha. Teixeira Caminhões deixou a segunda suplência de Edvaldo Nogueira e entrou sua mulher, Cris Teixeira. Os motivos de saúde alegados por Teixeira merecem absoluto respeito. Politicamente, porém, o resultado é curioso: sai Teixeira, entra Teixeira. A campanha foi até a janela procurar oxigênio e voltou com alguém da mesma sala.

E o mais saboroso é que um radialista sergipano já havia cantado a pedra da saída antes do anúncio oficial. A política local, como sempre, possui essa qualidade extraordinária: o segredo às vezes chega primeiro ao microfone e só depois ao candidato. Quando Edvaldo anunciou a mudança, parte do rádio já estava na sessão seguinte da novela.

O problema é que Edvaldo precisava de uma substituição que produzisse movimento. Uma segunda suplência ao Senado pode trazer região, liderança, grupo econômico, prefeito, partido ou votos novos. Desta vez, a cadeira mudou de ocupante sem mudar praticamente de endereço político. Trocar Teixeira Caminhões por Cris Teixeira preserva o grupo, mas não alarga a chapa.É como trocar o motorista e continuar com o caminhão estacionado na mesma garagem.

Isso ganha importância porque Edvaldo não está numa posição eleitoral em que possa se dar ao luxo de apenas conservar. Na Real Time Big Data divulgada em 3 de agosto, ele apareceu com 8% no consolidado para o Senado, atrás numericamente de André David, André Moura, Eduardo Amorim, Rodrigo Valadares, Alessandro Vieira e Rogério Carvalho. A pesquisa ouviu 1.600 eleitores, tem margem de erro de dois pontos e registro SE-07327/2026. Pesquisa não elege ninguém em agosto, claro. Mas também não foi inventada para decorar parede de comitê.

Durante meses, Edvaldo vendeu a ideia de uma candidatura que sairia de Aracaju para conquistar Sergipe. Agora, quando a campanha oficial bate à porta, a impressão é de que ela começa a perder corpo justamente na hora em que deveria colocar músculo. O ex-prefeito tem currículo, experiência administrativa e quatro mandatos na capital. O eleitor já conhece essa biografia. A dificuldade é transformar passado administrativo em presente eleitoral.

No fim, a troca é pequena, mas a fotografia é grande. Edvaldo precisava acrescentar votos e acabou acrescentando continuidade. Cris Teixeira tem trajetória própria e já foi suplente de Antônio Carlos Valadares, mas sua entrada mantém a vaga dentro do mesmo núcleo político familiar. E aí mora a ironia: numa eleição em que todo mundo corre atrás de novos aliados, Edvaldo mexeu na chapa para terminar praticamente no mesmo lugar. Mudou o passageiro, preservou o sobrenome e agora precisa descobrir como fazer a candidatura sair do acostamento.

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