Se a política sergipana fosse uma micareta, a micarane 2025 em Laranjeiras não teria sido apenas uma festa: foi um desfile de intenções eleitorais, alianças seladas no camarote VIP e acordos fechados entre um gole de vinho, uma cerveja bem gelada e doses generosas de um bom uísque, daquele que desce quente, mas sobe com promessa. E no meio desse calor todo, um nome se destacou, dançando bem no centro do salão: Fábio Reis.
O deputado federal Fábio Reis marcou presença e, mais importante que isso, firmou terreno em dois colégios eleitorais relevantes: Laranjeiras e Riachuelo. E não foi só de aperto de mão e foto sorrindo: Juca de Bala, prefeito de Laranjeiras, deu o recado à moda antiga, no sussurro de canto de ouvido: “Meu candidato é Fábio Reis”. E como se não bastasse, ele ainda aproveitou para fazer um pré-lançamento disfarçado do filho, mais um “Juca de Bala” como futuro deputado estadual. Ou seja, pai que é pai protege o herdeiro e escolhe bem os aliados. E Juca está jogando como veterano.
Do outro lado da ponte, em Riachuelo, o prefeito Petinho de Joao Grande deu um passinho discreto, mas firme. Estava lá também na Micarane, acompanhando tudo, e entre um balançar de cabeça e outro, sinalizou que também pode estar no bloco de Fábio Reis. E não é à toa: emendas parlamentares chegam, obras aparecem e votos se multiplicam. No xadrez político, Petinho também sabe mover suas peças.
Agora, quem parece estar jogando dama num tabuleiro de xadrez é Marcos Franco. O atual secretário de Turismo do Estado aparece como um personagem cada vez mais fora da roda. Enquanto prefeitos se articulam, alianças são fechadas, e a corrida eleitoral esquenta, Marcos continua tirando fotos em pontos turísticos e postando selfies com legenda motivacional. A bolsa de apostas já está pagando pouco: ninguém acredita mais que ele vai disputar qualquer coisa em 2026.
A verdade é que Marcos Franco não conseguiu consolidar nenhuma base. Fala-se muito sobre sua herança política, mas esquece-se que não basta o sobrenome, é preciso jogo de cintura, articulação e, acima de tudo, entrega. Seu pai, o saudoso Antônio Carlos Franco, sabia disso. Fazia uma política firme, de bastidor, de resultado. Marcos, por sua vez, parece mais um turista institucional do que um ator político real.
Se quiser mesmo voltar ao jogo, vai precisar trocar a poltrona do gabinete por visitas a líderes, prefeitos, comunidades e, claro, alianças reais. A política não é feita de pose, é feita de gesto. E se Fábio Reis está nadando de braçada em Laranjeiras e Riachuelo é porque entendeu isso. Vai, senta, conversa, manda recurso, entrega obra, tira foto. É o velho feijão com arroz da política que funciona.
No fim das contas, quem não se movimenta, vira nota de rodapé. E pelo andar da carruagem, Marcos Franco está mais próximo do “nada ser” do que do “vir a ser”. O bloco de Fábio Reis já saiu na frente. Quem quiser acompanhar que pule agora. Porque na política, o trio não espera.




