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Emília Corrêa e o decreto que botou a tesoura para trabalhar

Emília Corrêa fez o que muita gente cobra no discurso, mas pouca gente aguenta quando vê na prática: mandou controlar gasto, revisar contrato, segurar despesa desnecessária e colocar a máquina pública em dieta administrativa. E dieta, todo mundo sabe, só é bonita no Instagram dos outros. Quando chega no prato da prefeitura, aparece logo quem grite que acabou o almoço, que sumiu a sobremesa e que o garçom vai fechar o restaurante. Mas a verdade é mais simples. Emília não decretou falência. Decretou responsabilidade. Não mandou apagar a luz da cidade. Mandou parar de deixar todas as lâmpadas acesas enquanto o povo paga a conta.

O Decreto nº 8.718 entrou em cena como aquele fiscal chato, porém necessário, que chega na festa dizendo que o buffet está caro, o som passou do limite e a decoração precisa ser renegociada. A medida prevê revisão de contratos, redução de despesas administrativas, contenção de passagens, diárias, eventos, publicidade, locações e outros gastos que não podem ser tratados como se dinheiro público brotasse em jarro de prefeitura. Emília acertou porque governar não é fazer pose para foto com planilha colorida. Governar é decidir antes que o problema vire incêndio. E nesse caso ela fez o correto: puxou o freio antes que o carro descesse a ladeira sem motorista.

Claro que a oposição não perderia essa oportunidade. Luiz Roberto apareceu com aquela previsão de apocalipse administrativo, insinuando que em breve haveria atraso de salários. Delegada Katarina chamou o decreto de tragédia anunciada e cobrou explicações sobre planejamento, contratos e impactos. O Fato Sergipe leu o pacote como sinal de desequilíbrio financeiro. No rádio, Narcizo Machado comentou que a medida refletiria um cenário em que os gastos estariam superando a arrecadação. Está tudo dentro do jogo democrático. Crítica é legítima. Fiscalização é necessária. Mas transformar toda tesourada em funeral da prefeitura é exagero de quem confunde contenção com caixão.

A defesa de Emília é tranquila porque o decreto fala por si. Cortar gordura não é cortar o povo. Revisar contrato não é perseguir fornecedor. Suspender despesa não essencial não é paralisar a cidade. Ao contrário, é proteger aquilo que realmente importa. Saúde, educação, assistência social, infraestrutura e serviços essenciais precisam de caixa, prioridade e comando. A prefeita olhou para a máquina e disse: primeiro o cidadão, depois o penduricalho. Isso incomoda porque mexe em zonas de conforto. Sempre tem alguém que acha normal gastar com o supérfluo, desde que a conta chegue em nome do contribuinte.

E aqui mora o humor da cena. Os mesmos que vivem pedindo gestão eficiente quase engasgam quando a eficiência aparece com uma tesoura na mão. É como o sujeito que manda o amigo economizar, mas quando o amigo cancela o churrasco, chama de crise humanitária. Emília fez o óbvio que virou escândalo porque, na política, o óbvio às vezes parece revolucionário. Se a prefeita gastasse sem controle, seria acusada de irresponsável. Como decidiu controlar, querem chamá-la de quebrada. É a crítica com GPS descalibrado: qualquer caminho que Emília pegue, o destino da oposição é sempre o mesmo, reclamar.

No fim das contas, o decreto mostra uma prefeita com coragem para encarar a planilha sem maquiagem. Emília não fugiu do debate, não se escondeu atrás de frase pronta e não tentou vender ilusão. Disse que é responsabilidade fiscal, e é exatamente isso. Pode haver cobrança, pode haver lupa, pode haver questionamento, mas também precisa haver honestidade intelectual. Segurar gasto no tempo certo não é fraqueza. É força administrativa. Emília agiu como quem sabe que prefeitura não é trio elétrico sem limite de combustível. É uma casa pública, paga pelo povo, e casa séria precisa de chave na porta, conta conferida e alguém com coragem para dizer: daqui para frente, desperdício não passa.

Uma resposta

  1. O interessante é que ela está cortando um orçamento que ELA MESMA elaborou. e quem foi quem gastou? Acredito que foi a própria gestão dela.

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