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Entre a lama e o diálogo: Suzana Azevedo põe ordem onde a obra virou novela

Tem obra em Aracaju que já virou quase patrimônio cultural do atraso, da poeira e do “aguarde só mais um pouquinho”. Mas, desta vez, apareceu alguém para colocar ordem no caos. A conselheira Suzana Azevedo entrou em campo com postura firme, técnica e, principalmente, com algo raro na administração pública, disposição para ouvir. A mesa técnica realizada pelo TCE não foi só mais uma reunião de café e discurso bonito. Foi ação, foi cobrança e foi, acima de tudo, um freio necessário numa obra que já estava testando a paciência do sergipano. 

E não foi pouca gente na sala, não. Tinha Tribunal de Contas do Estado de Sergipe, Ministério Público Federal, Ministério Público de Contas, Iguá, Emurb, Adema, Sema e até a comunidade, representada pela advogada Jane Tereza Fonseca, que levou na mesa o que o povo sente na pele, poeira, buraco, transtorno e aquela sensação de que a obra nunca termina. E quando o povo fala, meu amigo, não tem PowerPoint que segure. 

A condução de Suzana Azevedo foi daquelas que merece aplauso de pé, sem ironia. Ela fez o que muita gente evita, juntou todo mundo, botou cada um na cadeira certa e disse, resolvam. Falou em dignidade durante a execução, cobrou solução para ruas interditadas, areia acumulada e vias destruídas. Ou seja, trouxe a discussão para o mundo real, aquele onde o cidadão pisa na lama e não no discurso. E ainda anunciou audiência pública, porque, veja só que novidade, decidiu ouvir mais gente. Parece simples, mas em obra pública isso é quase revolucionário. 

Agora, no meio desse cenário, tem sempre aquele personagem que diz “assumimos agora, já estava assim”. A Iguá chegou com esse discurso, que é bonito, elegante, mas não resolve o buraco na porta de casa de ninguém. O diretor Leandro Aredes falou em compatibilizar projetos, alinhar drenagem com esgoto, ajustar planejamento. Tudo muito técnico, muito correto. Mas o povo quer saber de uma coisa só, quando é que vai parar de tropeçar em obra. Porque assumir concessão é fácil, difícil é entregar resultado. 

Enquanto isso, gente séria foi lá e fez o dever de casa. O procurador Eduardo Côrtes trouxe cronograma, falou em plano ambiental, medidas mitigadoras, coisa concreta. A procuradora Gisele Bleggi alinhou responsabilidades, prazos e compromissos. E Fabíola Medeiros reconheceu o problema e assumiu revisão de procedimentos. Ou seja, quando o nível sobe, o resultado começa a aparecer. Quando fica só na conversa, vira novela. 

No fim das contas, a reunião mostrou duas coisas muito claras. Primeiro, que quando tem comando técnico, como o de Suzana Azevedo, as coisas andam. Segundo, que tem empresa que precisa sair do discurso e entrar na prática com mais velocidade, porque Sergipe já está cansado de promessa. A obra é importante, ninguém discute isso. Mas mais importante ainda é respeitar quem mora ali. Porque no papel tudo é perfeito, mas é na rua que a verdade aparece.

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