O rompimento da adutora do São Francisco, que deixou mais de 270 mil imóveis sem água em Aracaju e região metropolitana, gerou uma das maiores crises de abastecimento dos últimos anos em Sergipe. Foi um episódio grave, mas é importante reconhecer que não se trata de buscar culpados individuais. Acidentes dessa natureza fazem parte da complexidade da operação de transportar água por longas distâncias em tubulações antigas, expostas às intempéries e, neste caso específico, sob forte impacto das chuvas intensas que atingem o Estado há quatro meses.
Diante do ocorrido, a postura do governador Fábio Mitidieri merece destaque. Mesmo estando fora do país em agenda internacional, ao retornar na segunda-feira assumiu de imediato a condução da situação. Instalou um Comitê de Gerenciamento de Crise, chamou prefeitos da Grande Aracaju, acionou Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Deso, Sedurbi, Agrese e a concessionária Iguá. Sob sua liderança, as equipes conseguiram em tempo recorde restabelecer o fornecimento de água e organizar medidas emergenciais, como o uso de adutora alternativa e a mobilização de 82 caminhões-pipa para hospitais, escolas e comunidades mais vulneráveis. O governador também determinou que a Deso realizasse revisão completa de todas as adutoras do Estado e auditoria nos contratos de manutenção, estabelecendo medidas preventivas para evitar novos rompimentos.
Essa atuação demonstra o que se espera de um gestor: assumir a frente de uma crise, mobilizar os órgãos e dar respostas rápidas à população. Ao mesmo tempo, o episódio deixa lições. Se foi necessária a intervenção direta do governador para articular medidas básicas de prevenção e coordenação, isso mostra que parte da estrutura técnica responsável não se antecipou como deveria. Alguns dirigentes de órgãos, que tinham a obrigação de agir de forma preventiva e coordenada, não demonstraram a mesma iniciativa que o chefe do Executivo revelou ao regressar.
Não houve culpa, mas sim uma fatalidade que expôs fragilidades do sistema. Agora, mais importante do que apontar dedos, é consolidar metodologias para reduzir riscos futuros. O programa de inspeção e auditoria anunciado precisa sair do papel e se tornar rotina, garantindo que a rede hídrica do Estado não dependa apenas de ações emergenciais quando a crise já está instalada.
A população sergipana merece, sim, o pedido de desculpas feito pelo governador, não como assunção de culpa, mas como demonstração de respeito. Mas o mais relevante é que as medidas preventivas sejam efetivamente implementadas. Foi um acidente, é verdade. Mas que sirva de alerta para transformar a gestão hídrica em um sistema proativo e resiliente, não reativo. A crise foi administrada, mas o aprendizado precisa ser permanente.




