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Entre o perdedor e o bajulador

Na Câmara Municipal de Aracaju, o que era para ser debate virou espetáculo com direito a replay, comentários de bastidores e aquele burburinho típico de quem assistiu e saiu dizendo “rapaz, tu viu aquilo?”. O embate entre Elber Batalha e Vinícius Porto entregou tudo: tensão, vaidade e um roteiro que já nasce com cara de clássico local.

De um lado, Elber no modo oposição raiz. E diga-se: ele é coerente nisso. Quando está na oposição, ele veste a camisa, bate, cobra, aperta e não larga o osso. O problema é quando o placar não ajuda. Perder, para ele, não é resultado, é quase uma afronta pessoal. Ele revisa, reinterpreta, questiona, volta no lance… se deixar, pede VAR até da própria fala. É intensidade que beira a teimosia, mas nunca passa despercebida.

Do outro lado, Vinícius Porto, que não discute com o vento… ele conversa com ele. Se o governo sopra para um lado, ele já está lá esperando. Se muda o rumo, ele muda junto, embora acima do peso, muda com a leveza de quem já entendeu o jogo faz tempo. É quase uma metamorfose ambulante da política sergipana. Não é contradição, é sobrevivência em tempo real. Vinícius não enfrenta o poder, ele se adapta a ele antes mesmo do poder perceber.

E foi aí que o momento ficou curioso. Elber acertou quando cutucou a bajulação, quando disse que estava faltando senso crítico e sobrando elogio automático. Foi direto, sem rodeio, como costuma ser. Só que a crítica veio embalada por aquele velho problema: a dificuldade de aceitar o contraditório. Ele acerta no diagnóstico, mas tropeça na forma. E na política, forma às vezes pesa mais que conteúdo.

No fundo, o que se viu na Câmara foi um duelo de extremos bem conhecidos do eleitor. De um lado, alguém que não aceita perder espaço de jeito nenhum. Do outro, alguém que não aceita ficar fora dele em hipótese alguma. Um briga com o resultado. O outro se ajusta a ele. Um estica a corda. O outro muda de lado antes dela arrebentar.

E o povo, claro, assistindo tudo como quem vê série boa. Porque, no fim das contas, a política em Aracaju segue entregando personagens que não decepcionam. Entre o enfrentamento permanente de Elber e a adaptação estratégica de Vinícius, a cidade vai entendendo que o jogo não é só sobre ideias. É sobre estilo, sobrevivência e, principalmente, sobre quem sabe jogar melhor com o vento… ou contra ele.

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