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Fabiano Oliveira: O PSD correu, chamou o reforço e tentou fechar a conta

Fábio Mitidieri olhou para o tabuleiro e fez o que todo governador faz quando percebe que a matemática eleitoral não está batendo: chamou reforço. E não foi qualquer reforço, foi Fabiano Oliveira, aquele tipo de político que não cria problema, não faz drama e ainda chega somando. Em eleição proporcional, isso vale mais que discurso bonito. Porque no fim das contas, não é sobre quem fala melhor, é sobre quem coloca voto na urna e ajuda a legenda a sobreviver. E o PSD, convenhamos, estava precisando respirar.

A entrada de Fabiano não é um gesto de amizade, é estratégia pura. O partido precisa montar uma chapa minimamente competitiva para deputado federal, e hoje não sobra nome com densidade eleitoral sobrando por aí. Fabiano entra exatamente nesse espaço: não como salvador da pátria, mas como aquele jogador que não faz gol de placa, mas evita o rebaixamento. Em política, isso é ouro. Porque tem muita estrela que brilha… e não entrega voto nenhum.

E aí vem o ponto que muita gente ignora: Fabiano tem algo raro no ambiente político atual, que é fidelidade. Ele não fica fazendo malabarismo ideológico, nem mudando de lado conforme o vento. Sempre deixou claro que era “soldado” do grupo. E quando o comandante chamou, ele não fez charme, não pediu garantia, não pediu cláusula de estabilidade emocional. Foi lá e disse: “vamos”. Num cenário cheio de políticos que só entram no jogo se já tiverem ganhado, isso já diferencia.

Além disso, Fabiano tem capital popular. Não é aquele político de gabinete, é de rua, de evento, de gente. Conhece Aracaju, circula bem, tem memória eleitoral e um tipo de carisma que não se ensina em curso de marketing. Pode não ser o favorito para ganhar a vaga, mas é o tipo de nome que puxa voto, ajuda na conta e melhora o desempenho coletivo. E é exatamente isso que o governador está precisando: gente que ajude o PSD a não passar vergonha na hora do coeficiente.

Agora, enquanto Fábio conseguiu puxar Fabiano com relativa facilidade, teve gente que olhou, sorriu… e seguiu em outra direção. Daniela Garcia é o exemplo mais claro disso. Já se filiou ao MDB, escolheu outro caminho e deixou claro, sem precisar de coletiva, que não joga sob comando. E isso não começou agora. Daniela já demonstrou independência lá atrás, quando resolveu disputar a Prefeitura de Aracaju mesmo sem o apoio do grupo governista.

E no segundo turno, quando o grupo esperava alinhamento automático, veio o silêncio educado. Daniela apareceu, é verdade, mas daquele jeito que parece presença de cerimônia: passa, acena, tira foto e vai embora antes da sobremesa. Não comprou a briga, não vestiu a camisa e não entrou de cabeça na campanha de Luiz Roberto. Foi apoio protocolar, sem alma, sem suor e sem aquele empenho que muda eleição. Em política, isso fala mais alto do que qualquer discurso.

Isso revela um ponto importante: Daniela pode até ser uma liderança relevante, mas não tem vocação para ser parte orgânica do projeto de Fábio Mitidieri. É independente, joga o próprio jogo e não parece disposta a entrar em estratégia coletiva que não controle. E isso, no mundo real da política, significa uma coisa simples: não é peça confiável para montagem de grupo. Pode ser aliada pontual, mas não é base sólida. E governador nenhum gosta de montar time com jogador que pode sair no meio da partida.

No fim, o cenário fica quase didático. De um lado, Fábio Mitidieri chamando quem aceita jogar junto para tentar salvar a matemática do PSD. Do outro, Daniela seguindo carreira solo, com autonomia total e compromisso relativo. E no meio disso tudo, Fabiano Oliveira fazendo o papel que poucos aceitam hoje: o de somar sem complicar. Não é o protagonista da eleição, mas pode ser aquele que impede o roteiro de virar tragédia. E em política, às vezes, quem evita o desastre já fez mais do que muita estrela que só sabe aparecer.

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