Graccho Cardoso, pequena cidade do sertão sergipano, sempre teve dono político conhecido. A família Graça, chamada nos bastidores de os Gatos, construiu uma hegemonia rara. Pai prefeito, filho prefeito, outro filho prefeito duas vezes. Quem recebia o apoio do grupo largava na frente. Era organização, tradição e controle eleitoral consolidados ao longo dos anos.
Nas eleições de 2024, o cenário mudou. Arakém Aragãotentou a reeleição, mas foi derrotado por Cassinhoda Quixabeira. A vitória parecia encerrar um ciclo histórico. Só que a política resolveu virar o tabuleiro mais uma vez. O Tribunal de Justiça decidiu, por unanimidade, cassar os direitos políticos de Cassinho por improbidade administrativa. Inelegível por oito anos, ainda cabendo recurso. E a cidade acordou agitada. Grupos de WhatsApp em ebulição, redes sociais inflamadas e uma ironia inevitável circulando: a Quixabeira, árvore frondosa deixou de fazer sombra política.
Nesse ambiente reaparecem dois polos. Napinho volta ao centro do debate como referência de um grupo que ainda tem raízes profundas. E ganha força o nome do advogado doutor Fenelon Santos. Presente há mais de 20 anos na cidade, com atuação jurídica e apoio comunitário reconhecido, Fenelon foi candidato em 2024, mas renunciou durante a campanha por questões pessoais. Ainda assim, consolidou respeito. Criticou tanto o Gato quanto o Quixabeira, manteve independência e construiu imagem própria.
Agora, com o cenário instável, redes sociais e sites locais já especulam composições para 2026. Fenelon surge como alternativa real, não apenas como lembrança de campanha passada. Em Graccho Cardoso, a guerra dos Gatos perde intensidade, a Quixabeira já não projeta sombra e o jogo político entra em fase de reconstrução. No sertão, quando um ciclo fecha, outro começa a se organizar em silêncio.




