O Forró Siri já foi uma festa de peito aberto, daquelas que faziam Socorro se sentir dona do próprio São Pedro. Zé Franco criou, Fábio Henrique deu continuidade, Padre Inaldo manteve estrutura e Samuel Carvalho conseguiu a façanha política de pegar uma festa com cerca de 80 atrações em 2025 e apresentar uma programação com 25 atrações em 2026. Isso não é ajuste. Isso não é economia criativa. Isso é encolhimento público com sanfona desafinada. De 80 para 25 atrações, meu amigo, não é mudança de formato. É derrota no placar da tradição.
O problema é que o Forró Siri não é festinha de bairro improvisada com caixa de som emprestada e bandeirola torta. É patrimônio cultural, memória afetiva e vitrine política de Nossa Senhora do Socorro. Quando uma gestão reduz drasticamente uma festa desse tamanho, o povo sente no couro do zabumbeiro. O cidadão olha para a grade, compara com os anos anteriores e pergunta: “cadê o Forró Siri que fazia Socorro parar?”. Porque, convenhamos, quando o siri perde a garra, até o caranguejo da feira fica constrangido.
Samuel Carvalho parece ter confundido organização com diminuição. Uma coisa é fazer festa responsável, com planejamento, segurança, ambulante respeitado e estrutura decente. Outra coisa é entregar uma programação magra e querer que o povo chame isso de modernização. O socorrense não é besta. Sabe a diferença entre economia e falta de ousadia. Sabe quando a sanfona está tocando bonito e sabe quando estão tentando vender triângulo solitário como se fosse orquestra de forró.
Nas redes sociais, a chiadeira não é pequena. Tem gente reclamando da falta de nomes nacionais, da queda de tamanho, da ausência daquele brilho que fazia o Forró Siri competir de verdade com os grandes festejos juninos de Sergipe. E a crítica faz sentido. Uma festa que já teve cara de multidão, de palco grande, de São Pedro forte, agora aparece com jeito de programação encolhida, quase pedindo desculpa antes de começar. O povo queria arrasta pé de respeito. Recebeu um cardápio mais curto do que promessa de político depois da eleição.
A comparação com os ex-prefeitos é inevitável e dói porque é simples. Zé Franco inventou a tradição. Fábio Henrique manteve o povo dançando em grande escala. Padre Inaldo segurou estrutura e organização. Samuel, até aqui, conseguiu transformar o debate do Forró Siri numa pergunta incômoda: por que a festa diminuiu tanto? E em política, quando o povo começa a perguntar “por quê?”, a resposta não pode vir em nota fria. Tem que vir em entrega. Tem que vir em palco, rua cheia, ambulante vendendo e população satisfeita.
No fim, reduzir uma festa de 80 para 25 atrações é mais do que cortar programação. É cortar expectativa, cortar movimento econômico e cortar o orgulho de uma cidade que aprendeu a se reconhecer no Forró Siri. Samuel ainda pode tentar compensar na execução, claro. Mas, no anúncio, a impressão foi ruim. Socorro esperava um siri valente, daqueles que beliscam forte. Recebeu um siri cansado, de fole curto e zabumba baixa. E quando a festa símbolo da cidade encolhe desse jeito, não é só o palco que diminui. É a gestão que parece menor diante da própria tradição.




