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FPM de Itabaiana: quando a pressa em culpar Valmir atropela os fatos

Em Sergipe, certos setores da política e do microfone descobriram uma nova modalidade administrativa: quando acontece qualquer coisa em Itabaiana, a culpa é de Valmir de Francisquinho. Choveu forte? Valmir. O sistema federal travou? Valmir. O eSocial apresentou inconsistência? Valmir também. Só faltou dizer que ele inventou o FPM, programou o sistema em Brasília e apertou o botão do bloqueio tomando café na feira.

O caso, porém, é bem menos cinematográfico e muito mais técnico. O bloqueio temporário do FPM de Itabaiana ocorreu por inconsistência de informações no eSocial, sistema do Governo Federal que reúne dados trabalhistas, previdenciários e fiscais. Não foi falta de pagamento. Não foi quebradeira. Não foi rombo escondido. Foi atualização cadastral, dessas que fazem prefeitura do Brasil inteiro perder manhã, tarde e paciência diante da burocracia federal.

Também convém lembrar o óbvio, embora o óbvio esteja virando artigo de luxo: o prefeito de Itabaiana é Zequinha da Cenoura. Portanto, transformar um episódio técnico em pancada automática contra Valmir é mais do que preguiça analítica. É torcida com crachá de comentário político. Há quem já entre no estúdio com a conclusão pronta e só depois procure um fato para vestir a fantasia.

A Prefeitura informou que a situação foi corrigida, os dados foram atualizados e os recursos começaram a ser regularizados. Enquanto alguns tentavam vender crise, a cidade seguiu funcionando. Obras em andamento, salários pagos, fornecedores recebendo e máquina pública de pé. A tragédia anunciada não passou de um alarme disparado por quem confundiu inconsistência de sistema com colapso administrativo.

Fiscalizar Itabaiana é legítimo. Cobrar explicações é necessário. Mas forçar uma narrativa para atingir Valmir, ignorando eSocial, sistema federal, regularização técnica e o próprio prefeito, é jornalismo de atalho. E atalho, na política, quase sempre leva ao mesmo lugar: ao constrangimento de ver os fatos voltarem pela porta da frente enquanto a narrativa sai pela janela.

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