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Fritando Edvaldo: o projeto por trás da fumaça

A entrevista concedida pelo vereador Isac Silveira à Rádio Fan FM não foi apenas uma crítica pontual à figura de Edvaldo Nogueira. Foi, sim, um movimento coordenado dentro de uma engrenagem mais ampla: o projeto de isolamento político e desgaste público do ex-prefeito de Aracaju, que declarou intenção de disputar o Senado em 2026. Quando um ator político com mandato faz declarações tão incisivas e específicas, é porque as intenções já passaram da fase da articulação de bastidor e entraram oficialmente na etapa da construção de narrativa pública.

Isac não mirou na gestão, nem nas obras. Mirou no comportamento político, e isso importa. Chamá-lo de “desagregador”, de corpo estranho no agrupamento do governador Fábio Mitidieri, não é um comentário pessoal: é um gesto de desqualificação funcional. A crítica é cuidadosamente formulada para esvaziar Edvaldo como articulador, operador e elo confiável dentro de uma possível chapa governista. Essa construção retórica visa o isolamento: ou se neutraliza Edvaldo agora, ou corre-se o risco de vê-lo ganhar tração eleitoral até 2026, sobretudo na capital, onde sua base segue viva.

E é aí que entra o elemento institucional: a CPI. A movimentação na Câmara de Aracaju pela instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a arrecadação com multas de trânsito durante as gestões de Edvaldo não é casual, tampouco motivada por súbito interesse fiscalizador. O objetivo é político, e o calendário confirma. A proposta ganha força logo após o ex-prefeito tornar pública sua intenção de buscar uma vaga no Senado. A CPI não nasce de um clamor popular, mas de um cálculo frio: se Edvaldo ameaça eleitoralmente, é preciso fragilizá-lo antes que consolide sua candidatura.

A lógica é clara. Quem ganha com a retirada de Edvaldo do páreo? André Moura, pré-candidato a senador com baixíssimo desempenho histórico em Aracaju, e seu potencial suplente, Ricardo Vasconcelos, que tenta se projetar como alternativa “limpa” e tecnicamente preparada. Juntos, constroem um discurso de renovação enquanto se movimentam para retirar um nome que, goste-se ou não, tem capital político comprovado e quatro mandatos à frente de Aracaju. Moura, que amarga resultados pífios nas urnas da capital, precisa de uma porta de entrada. Como não a tem organicamente, tenta abrir espaço na marra, por meio de desgaste público do adversário direto.

A tática se reflete também nas movimentações paralelas. A atual prefeita Emília Corrêa reforça o discurso da necessidade de “passar Aracaju a limpo”, emprestando à CPI uma roupagem de moralidade administrativa que serve de escudo para o real objetivo: minar Edvaldo como ativo eleitoral. Nesse processo, cria-se um ambiente de condenação prévia, onde o simples fato de ser alvo de uma comissão já é suficiente para colocá-lo sob suspeição pública, ainda que não se produza um único relatório técnico ou indício material relevante.

O cálculo também passa pelo Palácio. Fábio Mitidieri é empurrado para o centro da equação. Manter Edvaldo por perto significa herdar os desgastes da CPI e comprar uma briga com setores que estão montando suas próprias plataformas para 2026. Afastá-lo, por outro lado, pode significar abrir mão de um nome popular em Aracaju, colégio eleitoral decisivo. A pressão não é por justiça, é por definição. E quanto mais cedo, melhor para quem quer montar chapa com estabilidade.

Edvaldo, por sua vez, compreende a movimentação. Ao invés de se recolher, responde com sinalizações claras: reuniões com prefeitos do interior, retomada de articulações municipais e conversas públicas, como a que teve com o prefeito de Lagarto, Sérgio Reis, que o classificou como “grande nome para o Senado”. Isso indica que, mesmo isolado institucionalmente, Edvaldo ainda tem capacidade de articulação direta. Ele opera no vácuo criado pela desconfiança interna, buscando alianças regionais para compensar sua baixa penetração fora da capital.

O cenário, portanto, é de disputa antecipada travestida de fiscalização. A CPI funciona como instrumento de contenção pré-eleitoral, aplicada seletivamente contra um ator que ameaça a estabilidade de projetos já em formação. Os ataques verbais, as articulações legislativas e a movimentação de bastidor convergem para um único ponto: retirar Edvaldo do caminho, ou enfraquecê-lo ao ponto de torná-lo inofensivo até o início do processo oficial.

Neste tabuleiro, o predicado de cada personagem é funcional ao projeto. Isac vocaliza o que a base quer sussurrar; Moura tenta limpar o terreno na capital; Ricardo se projeta como o técnico reformista; Emília empacota tudo com verniz ético. E Mitidieri, ainda que silencioso, precisa tomar decisões cujo custo político será cobrado adiante.

A política não está em crise. O que está em curso é um jogo muito bem jogado, para quem sabe ler nas entrelinhas e reconhecer que, antes de 2026, muita gente será fritada. E Edvaldo, neste momento, é apenas o prato do dia.

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