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Georgeo Passos vai ao Ministério Público Eleitoral

O deputado estadual Georgeo Passos resolveu fazer aquilo que muita gente na política evita até no pensamento: peitou o sistema e levou ao Ministério Público Eleitoral uma denúncia que promete estremecer os bastidores da Assembleia Legislativa. Segundo Georgeo, o governo estaria usando as emendas não impositivas como ferramenta de pressão política, liberando recursos para aliados enquanto deputados da oposição ficam olhando o Diário Oficial como quem espera resultado de bingo beneficente. E convenhamos, em Sergipe, dinheiro de emenda parece ter aprendido até orientação política. Se simpatizar com o governo, anda rápido. Se discordar, entra em modo tartaruga administrativa.

O mais curioso é que toda gestão fala em democracia, diálogo e harmonia institucional até chegar perto do cofre. Aí nasce um fenômeno quase sobrenatural da política brasileira: o orçamento ganha sentimentos. O recurso começa a ter preferência, afinidade e até amizade política. Georgeo Passos foi ao Ministério Público justamente denunciar essa situação que, se comprovada, transforma o dinheiro público numa espécie de programa de fidelidade governamental. Quem aplaude ganha prioridade. Quem critica ganha silêncio, protocolo, análise técnica e uma previsão de pagamento que parece prazo de obra pública antiga: ninguém sabe quando termina.

E Georgeo teve coragem. Coragem mesmo. Porque denunciar possível uso político da máquina em pleno ambiente pré-eleitoral não é coisa para político que vive apenas de foto sorrindo e café em gabinete climatizado. O deputado resolveu colocar o dedo numa ferida que muita gente comenta nos corredores, mas poucos têm disposição de enfrentar publicamente. E o mais irônico é que a oposição está pedindo exatamente o básico: igualdade. Algo que deveria ser automático numa democracia madura, mas que em alguns ambientes políticos ainda parece tratado como item de luxo institucional.

Agora a bola está com o Ministério Público Eleitoral, que terá a responsabilidade de analisar uma denúncia extremamente sensível. Porque a questão deixa de ser apenas financeira e passa a tocar diretamente no equilíbrio do processo eleitoral. Afinal, se recursos públicos forem utilizados para fortalecer aliados e enfraquecer adversários, o jogo democrático deixa de ser disputa política e começa a virar campeonato patrocinado pela máquina pública. E aí o cidadão olha tudo isso tentando entender por que uma ambulância, uma obra ou uma ação social precisam primeiro passar pelo teste da simpatia política antes de chegar à população.

No fim das contas, Georgeo Passos conseguiu algo raro na política moderna: provocar desconforto real no sistema. Enquanto muitos parlamentares preferem a segurança do silêncio elegante, ele decidiu levar a discussão para onde ela precisa estar: dentro das instituições de fiscalização. E isso explica por que a denúncia repercutiu tanto. Porque o sergipano já cansou de assistir ao dinheiro público sendo tratado como se tivesse dono político. Emenda parlamentar não é prêmio de fidelidade, nem pix emocional de governo. Dinheiro público pertence à população. E democracia de verdade não combina com fila VIP na porta do orçamento.

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