Gledson Oliveira deixou a Secretaria da Família, Inclusão e Assistência Social, e a troca parece administrativa até alguém abrir o álbum de família da política de Socorro. Gledson não caiu de paraquedas no governo Samuel Carvalho: sua indicação foi ligada a Fábio Henrique, de quem já havia sido secretário, e ele participou ativamente da campanha de André Moura. A justificativa que circula para a saída é o cuidado com a mãe, motivo absolutamente respeitável. O problema é que política tem esse defeito: até licença para cuidar da família ganha legenda quando acontece poucos dias depois de uma eleição. E, nesse caso, a legenda é grande: Fábio Henrique acabou de sair das urnas muito maior do que entrou.
A passagem de Gledson pela Assistência Social também deixou assunto. Houve ações importantes, regularização de famílias no CadÚnico e atividades da pasta, inclusive um grande Carnaval para usuários da assistência. Sobre a história de que a festa teria custado uma fortuna, porém, ainda falta a conta completa. Festa houve. Quanto custou é que precisa sair do bloco do “me disseram” e entrar no Portal da Transparência. Porque, em administração pública, confete pode voar. Nota fiscal, não. E antes que alguém ache que isso é implicância, é simples: quando a festa é paga pelo contribuinte, até o pandeiro tem direito a prestação de contas.
A urna, entretanto, foi quem colocou tempero de verdade nessa história. Fábio Henrique voltou à Assembleia com 24.177 votos e recebeu 12.907 somente em Socorro, mais que o dobro dos 6.203 de Padre Inaldo. Para quem já foi prefeito por dois mandatos, deputado federal e conhece politicamente o município de cabo a rabo, não é votação para guardar no porta-luvas. Não significa que Fábio será candidato a prefeito em 2028, porque ainda falta muita água passar debaixo da ponte, especialmente se depender do abastecimento de Sergipe. Mas significa que qualquer reunião sobre sucessão municipal que ignore seu nome provavelmente terminou cedo demais.
E é aí que a saída de Gledson deixa de ser apenas troca de crachá e começa a parecer capítulo de série. Samuel tem Adriana Carvalho, sua esposa, como primeira suplente de Alessandro Vieira; Gledson vinha da órbita de Fábio Henrique e esteve com André Moura. Todo mundo estava no mesmo salão, mas nem sempre dançando a mesma música. Ainda não há rompimento público entre Samuel e Fábio e seria precipitado anunciar divórcio político antes mesmo de aparecer advogado. Mas a luz amarela acendeu. Fábio voltou forte das urnas e uma peça ligada historicamente ao seu grupo deixa uma secretaria de enorme capilaridade. Pode ser coincidência? Pode. Pode ser início de rearrumação? Também. Em Socorro, os próximos meses dirão se Samuel e Fábio continuam dividindo a mesma mesa ou se alguém já começou discretamente a perguntar quanto custa uma mesa para um só.




