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Golpe do Falso Advogado em Sergipe: o crime que finge ser justiça e arranca milhões

Quando a justiça vira isca para golpe, a vítima já entra perdendo. E em Sergipe, esse roteiro tem se repetido como um drama policial — só que sem final feliz. O golpe do falso advogado não é mais um caso isolado. É esquema organizado, nacional e milionário, que mistura tecnologia, manipulação e uma dose generosa de cara de pau.

Só nos últimos três anos, o prejuízo estimado com esse tipo de fraude chegou a R$ 2,8 bilhões no Brasil. E Sergipe, infelizmente, virou palco frequente dessa encenação criminosa que promete dinheiro de causa ganha, mas entrega o velho e conhecido: zero na conta e dor de cabeça.


Um teatro bem ensaiado: como o golpe funciona

Se você tem processo judicial — especialmente previdenciário, indenizações ou precatórios —, prepare-se: você pode ser o próximo alvo. Os golpistas começam pelo básico: vasculham dados públicos dos tribunais e identificam possíveis vítimas. Nome, telefone, tipo de processo, valor da ação… tudo ao alcance de um clique.

Depois, se passam por advogados ou funcionários de escritório jurídico. Usam fotos reais de profissionais, documentos falsificados com brasões da República, e até cálculos judiciais forjados, como se tivessem saído direto do sistema do STJ.

O argumento? Você tem valores a receber — mas precisa pagar antes uma “taxa de liberação”.
A pressão? É agora ou nunca. O valor vai “caducar”, o prazo expira hoje, e a chance de reaver o dinheiro evaporará se você não agir.

Golpe velho com cara nova, turbinado pela tecnologia e pela manipulação emocional.


Quadrilha baiana em Aracaju: o golpe de lotérica

Em julho de 2025, cinco homens de Jequié (BA) foram presos em Aracaju após aplicarem o golpe em idosos do Distrito Federal. O esquema era quase cômico — se não fosse trágico. Eles geravam QR Codes de pagamento em lotéricas, enviavam para as vítimas, e depois sacavam o dinheiro via Pix, respeitando o limite diário de R$ 5 mil.

Quando o limite travava, transferiam os valores para contas na Caixa Econômica Federal. Tudo isso enquanto o idoso achava que estava recebendo um precatório. No fim, era só prejuízo.


Golpe com cara de operação nacional

No mês seguinte, agosto de 2025, uma operação conjunta em seis estados prendeu 11 criminosos que acessavam sistemas da Justiça com logins roubados de advogados reais. A tecnologia virou cúmplice: os golpistas entravam em plataformas como a do STF e STJ para extrair dados, criar perfis falsos e executar o golpe com ainda mais verossimilhança.


E o prejuízo? Vai de R$ 30 mil a R$ 500 mil por vítima

Tem idoso em Sergipe que perdeu R$ 255 mil. Outros registraram perdas menores, mas não menos dolorosas: R$ 30 mil, R$ 50 mil, R$ 60 mil em um só escritório de Aracaju, só em janeiro de 2025. O golpe afeta principalmente:

  • Idosos
  • Beneficiários de precatórios
  • Pessoas com ações antigas
  • Clientes de escritórios renomados

Ou seja, exatamente quem mais confia na Justiça.

A resposta das autoridades: a corda arrebentou, mas estão remendando

A OAB/SE criou, em fevereiro, uma Comissão Especial de Enfrentamento aos Golpes dos Falsos Escritórios de Advocacia, com oito advogados atuando como força-tarefa.
As medidas incluem:

  • Denúncias à Delegacia de Crimes Cibernéticos
  • Reuniões com a cúpula da Polícia Civil
  • Pressão sobre o TJSE para blindar os sistemas
  • Um canal direto de denúncias: juridico@oabsergipe.org.br

Já a Polícia Civil corre contra o tempo. Delegados como André Baronto e Érico Xavier lideram as investigações. A Operação Central Fantasma, por exemplo, desarticulou uma rede que atuava em 10 estados, com prejuízo de R$ 1,3 milhão.

A sofisticação do crime: não é só “estelionatário de WhatsApp”

O golpe evoluiu. Hoje, há um mercado clandestino onde logins e senhas de advogados são vendidos como mercadoria. Um dos principais fornecedores, Henrique Vargas da Silva, operava do Espírito Santo e oferecia acesso a sistemas do Judiciário como se fosse Netflix jurídica.

É como se a toga fosse usada como máscara de criminoso — e o Judiciário, sem querer, virasse comparsa involuntário.

Outubro de 2025: e o show de horrores continua

  • Em Canindé de São Francisco, um homem foi preso ao tentar se passar por advogado. Estava bêbado, resistiu à prisão e ainda dirigia sob efeito de álcool.
  • A Operação Litis Simulatio, deflagrada nacionalmente, cumpriu 16 mandados de prisão e revelou tentáculos do golpe em Santa Catarina e vários estados, incluindo Sergipe.

Como se proteger: a lista que todo mundo deveria decorar

Para a população:

  • Confirme o número da OAB do advogado no site oficial.
  • Não confie em mensagens ou ligações urgentes.
  • Desconfie sempre de prazos curtos e pagamentos adiantados.
  • Nunca, jamais, pague para receber valores da Justiça.
  • Verifique o DDD das ligações e denuncie números suspeitos.

Para advogados:

  • Oriente seus clientes sobre o golpe.
  • Monitore o uso do seu nome e da sua OAB.
  • Use canais seguros de comunicação.
  • Reporte qualquer irregularidade à OAB.

O crime tem nome — e pena

Quem aplica esse tipo de golpe pode responder por:

  • Estelionato (Art. 171)
  • Associação criminosa (Art. 288)
  • Lavagem de dinheiro
  • Falsidade ideológica
  • Invasão de sistema informático

As penas somadas podem ultrapassar 15 anos de prisão, além de multas e confisco de bens.

A justiça está virando o próprio golpe?

A pergunta que fica é: até quando o Judiciário vai permitir que sua estrutura seja usada como arma contra o cidadão? E mais: quantas vítimas ainda vão pagar para não receber?

Enquanto os criminosos inovam em tecnologia e manipulação, o cidadão fica entre a esperança de receber o que é seu e o risco de perder tudo num Pix.

Ou a Justiça se reinventa — ou seguirá sendo o disfarce preferido do estelionatário do século XXI.


Já recebeu uma mensagem suspeita com promessa de liberação de valores judiciais? Comente abaixo, compartilhe sua experiência e ajude outros leitores a não caírem no golpe do falso advogado.


Fontes Principais:

G1, Fantástico, Agência Brasil, Infonet, CNN Brasil, OAB Sergipe, Polícia Civil de Sergipe.

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