Enquanto o Gustinho Ribeiro fazia sua filiação no PP com direito a foto, sorriso e tapinha nas costas, teve uma ausência que fez mais barulho do que qualquer discurso: Gracinha de Itaporanga. E não foi ausência qualquer, não. Foi ausência daquelas que o povo comenta no pé do ouvido, no zap e até no cafezinho da esquina. Porque em política, quem não aparece… aparece ainda mais.
Gracinha não foi, não mandou recado e, pelo visto, também não mandou saudade. E o motivo não é mistério para quem acompanha bastidor. Promessa não cumprida, acordo atravessado e aquele clima de “depois a gente vê isso” que político experiente simplesmente não compra. E Gracinha, convenhamos, não é de fazer papel de figurante em filme dos outros. Ela joga o jogo, mas joga para ganhar.
E tem mais. Enquanto muita gente corria para o PP como se fosse liquidação de shopping, Gracinha fez o movimento mais raro na política atual, ficou onde está. Segue nos Republicanos, assim como Heleno Silva, firme, sem pular cerca e, principalmente, sem cair em conversa fiada. Porque lá, goste ou não, ela tem espaço real, promessa cumprida, chance concreta e voto de verdade. E política sem voto é só reunião com coffee break ou na sala de espera por horas e telefonemas não atendidos é para figurante e não para protagonista.
Em Itaporanga d’Ajuda, a coisa ainda tem um tempero especial. De um lado, o grupo de Gracinha. Do outro, o do prefeito Ivan Sobral, alinhado ao governador Fábio Mitidieri. E ali, meu amigo, não tem mistura. É tipo água e óleo, ou melhor, lagarto e mandioca, cada um no seu canto. Resultado, Gracinha não ia mesmo atravessar essa ponte só para sair na foto.
Já o PP… ah, o PP. Montou um elenco que, no papel, parece interessante, mas na prática ainda precisa provar que sai do papel. Chegaram nomes como Roberto Góes, que anda mais sumido que promessa em ano ímpar, o filho Luciano Góes, além de Augusto Bezerra e Áurea Ribeiro, que nem candidatos são, o famoso Fiote, que é tipo aposta de loteria, uns juram que vem forte, outros dizem que não paga nem o bilhete, apenas come castanha e a Gedalva Umbuabá que durante a apresentação disseram que era Gedalva Ribeiro.
Tem também Hilda Ribeiro, que aí sim é nome que chama atenção pela leveza, pela simpatia e pode surpreender nas urnas. Mas, no geral, o pacote do PP parece mais um trailer do que o filme completo. E em eleição, não adianta elenco se não tiver bilheteria. E voto, até agora, ainda está mais na promessa do que na prática.
E o mais curioso é a identidade do partido. O PP virou uma espécie de GPS desconfigurado. Com Laércio Oliveira no comando, o partido consegue apoiar ao mesmo tempo quem é de direita (Flávio Bolsonaro e Rodrigo Valadares), quem é de esquerda (Fábio Mitidieri) e quem está no meio do caminho. É quase um milagre político, ou uma confusão bem organizada. Vota com um aqui, apoia outro ali e sorri para todo mundo. No fim, ninguém sabe exatamente onde ele está.
No fim das contas, a filiação no PP teve festa, teve foto e teve discurso. Mas quem deu o tom político mesmo foi quem não apareceu. Gracinha saiu maior na ausência do que muita gente na presença. Porque em Sergipe, mais do que estar no evento, importa saber onde você realmente está no jogo. E nisso, tem gente brincando de política… e tem gente jogando para valer. Ah! O governador também não compareceu ao evento.




