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Gustinho Ribeiro: o político que arde, mas não queima

Na política, poucos sobrevivem ao calor das derrotas sem derreter. Gustinho Ribeiro, deputado federal, é um desses raros espécimes da fauna política sergipana que, quanto mais se joga na fogueira, mais sai dela assando costela e servindo aos aliados com sorriso no rosto.

Nos últimos 15 dias, o nome de Gustinho voltou ao centro do debate político de Sergipe como um bumerangue que alguns tentaram lançar para longe… e ele voltou com velocidade, girando, apontado para Brasília. Enquanto adversários correm para fechar apoios e fazer barulho, Gustinho trabalha em silêncio. Não é barulho que move a política. É cálculo. É palavra. E, principalmente, é lealdade, algo que ele demonstra com clareza, apesar dos que insistem em duvidar.

Lealdade, aliás, é pedra fundamental em sua trajetória. Quando firmou compromisso com o governador Fábio Mitidieri em Aracaju, cumpriu. E não foi da boca pra fora, nem daquelas declarações protocolares de palanque. Foi com presença. Foi com articulação. Foi com voto. E, até hoje, quando perguntado, Gustinho é claro: “Estou com Fábio”. Já outros preferem atacar em off, plantar rumores e usar porta-vozes em microfones murchos.

Que o digam os irmãos Reis, Fábio e Sérgio que vivem num eterno loop de expectativa: “Gustinho vai trair, é questão de tempo.” Esperam há tanto tempo essa traição que já virou novela bíblica. O problema é que confundem silêncio com conspiração, e pragmatismo com infidelidade. Gustinho não pula do barco, ele é o que ajuda a remar, mesmo com furo no casco. E sabe por quê? Porque entende de aliança. Porque palavra dada, para ele, não é moeda de troca. É contrato de honra.

E mesmo que tenha perdido a prefeitura de Lagarto, Gustinho não perdeu o prumo. Pelo contrário: está montando chapa federal sólida, com nomes competitivos e com projeção de eleger dois deputados. Isso mesmo. Dois. Sozinho. O que muita federação não consegue fazer com três partidos juntos. Com trânsito livre em Brasília, tem o ouvido de Hugo Motta, presidente da Câmara, e o apoio de Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos. Isso, meus caros, não se compra no Mercado Municipal de Lagarto, nem de Aracaju. Isso se conquista com trabalho, com história, com… política de verdade.

Enquanto uns se orgulham de TikTok com filtro de abacaxi, Gustinho está fazendo reunião no café da manhã, almoço de bastidor e articulação em jantar e sem esquecer a sobremesa: votos. Porque ele sabe que política se faz com voto, não com curtida.

E se o Republicanos resistir ao assédio da oposição, resistir ao canto da sereia do grupo que Edivan Amorim acha que tem, será por uma única razão: porque Gustinho ainda é o comandante da nau. E, para quem conhece Brasília, sabe que manter o leme firme em tempos de tempestade é para poucos. Pastor Heleno sabe disso. Marcos Pereira e Hugo Mota reconhecem.

Dizem por aí: “Ah, mas se ele perder o partido, vai pra onde?” Como se Gustinho fosse um peão no jogo. Não é. Gustinho é bispo: se movimenta na diagonal, vê o jogo todo e ainda tem fé. Fé no projeto, fé na base e, sobretudo, fé na sua própria resiliência. E se mudar de partido, não muda o enredo: o enredo é de crescimento, de conquista e de renascimento. Quem nasceu para liderar, lidera até na travessia.

Luiz Carlos Foca, com sua verve sempre provocativa, reconheceu com meio sorriso: “Se ele segurar o Republicanos, o cabra é bom.” Errado, Foca. Se ele segurar o Republicanos diante dessa pressão toda, o cabra é muito bom. Articulado. Frio. Resiliente. Três qualidades que Brasília ama. E Sergipe começa a respeitar de novo.

Aliás, não é de hoje que Gustinho ressurge. Ele é quase uma mistura de Fênix com Maquiavel, saído direto da Alegoria da Caverna: já viu a luz, já enfrentou as sombras, e agora caminha sem tropeçar. Como diria o filósofo do interior, aquele que tem mais juízo que muito PhD: “Esse Gustinho é igual a maniçoba: quando esquenta, alimenta até a oposição.” A pergunta que fica para 2026 não é se Gustinho vai estar na disputa. Ele estará. A pergunta real é: quem vai conseguir pará-lo?

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