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Hoje tem audiência no salão: a advocacia sergipana cai no forró

A advocacia sergipana já separou a bota, passou a camisa xadrez e avisou ao cliente mais apressado que amanhã o único prazo será para chegar cedo no salão. O tradicional Forró da Advocacia acontece hoje, no Centro de Convenções AM Malls, a partir das 20h, com palco principal, palco 360°, trio pé de serra, quadrilha, Vila do Forró e mais sanfona do que petição inicial em segunda-feira. No comando da festa estarão Luan Estilizado, Igor Ativado, Muleka Safada e Forrozão das Antigas, transformando a OAB no único lugar onde o advogado perde o prazo, mas ganha o arrasta pé.

O presidente da OAB Sergipe, Danniel Costa, apareceu no discurso oficial dizendo que o evento fortalece laços, valoriza a cultura e coloca Sergipe em evidência. Está certo, mas a verdade de chapéu de palha é outra: a advocacia quer mesmo é esquecer audiência, despacho negado e aquele cliente que manda mensagem às seis da manhã perguntando “doutor, alguma novidade?”. O Forró da Advocacia virou quase uma sessão coletiva de terapia com sanfona, zabumba e gente tentando lembrar que também sabe sorrir sem ser em sustentação oral.

Agora, justiça seja feita: Danniel tem buscado protagonismo institucional, movimentando debates importantes e colocando a OAB em evidência. Mas o advogado raiz, aquele que vive no fórum, no balcão e brigando com sistema eletrônico travado, ainda pergunta baixinho no corredor: presidente, e as prerrogativas? Porque não adianta ter palco bonito se o processo continua caindo mais do que bêbado em véspera de São João. A classe quer festa, claro, mas também quer respeito de segunda a sexta e não apenas selfie de sexta à noite.

Ainda assim, amanhã ninguém vai filosofar sobre isso. Amanhã a única tese importante será descobrir quem dança melhor e quem vai sobreviver até o último forró sem pedir habeas corpus para os pés. A advocacia sergipana vai cair no arrasta pé e cair bonito, porque entre uma liminar negada e um bom xote, todo advogado sabe: há recursos que o Código não prevê, mas a sanfona resolve.

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