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Homenagem na Alese escancara quem realmente defende os direitos humanos em Sergipe

Eles não pediram medalha. Mas ganharam. E mereceram.

Enquanto parte da elite política brasileira tenta deslegitimar a luta pelos direitos humanos, a Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) foi na contramão: no último dia 29 de outubro, distribuiu reconhecimento — e não tapinhas nas costas — a quem de fato tem história e suor nessa causa. A tradicional Medalha de Direitos Humanos “Dom José Vicente Távora” foi entregue a 11 personalidades sergipanas que, cada uma à sua maneira, enfrentam desigualdades, preconceitos e silenciamentos todos os dias.

A medalha, criada pela Resolução nº 35/2010, carrega um simbolismo potente: não se trata de agradar aliados ou posar para fotos, mas de celebrar gente que atua onde o Estado costuma falhar.

Medalha não se entrega por conveniência

Embora costume ser entregue no Dia Internacional dos Direitos Humanos (10 de dezembro), a cerimônia deste ano foi antecipada — e justificada pela Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da casa. Nada de burocracia protocolar: cada homenageado foi indicado por deputados, com currículo e história à mesa.

Foi uma seleção que, convenhamos, escancarou um contraste: enquanto uns discursam contra “direitos humanos demais”, esses nomes vivem no front do que é, de fato, a dignidade humana.

Os nomes por trás da luta

A lista dos homenageados em 2025 não é genérica nem simbólica. É concreta. Vai da promotoria à periferia. Da magistratura à associação de catadoras de mangaba. Confira quem levou a medalha:

  • Albano Franco – Ex-governador de Sergipe, referência no debate público estadual.
  • Edson Ulisses de Melo – Desembargador do TJSE, com histórico de defesa institucional da justiça social.
  • Patrícia Cunha Paz dos Anjos – Juíza, com atuação relevante em causas sensíveis.
  • Evanilson Tavares de França – Ativista contra o machismo e a LGBTQIAPN+fobia, figura essencial na resistência cotidiana.
  • Lívia Nascimento Tinôco – Procuradora da República, combativa nos direitos das minorias.
  • Tânia Lúcia dos Santos Silva – Educadora que dedica a vida ao voluntariado com crianças e adolescentes.
  • Érica Lima Cavalcante Mitidieri – Secretária de Estado da Seasic, proposta pela deputada Lidiane Lucena por liderar políticas públicas robustas e inclusivas.
  • Rosinaide de Sá (Dona Zenaide) – Líder comunitária e fundadora da Associação das Catadoras e dos Catadores de Mangaba Padre Luiz Lemper. Mulher de garra, que enfrenta a especulação imobiliária e a destruição das mangabeiras no bairro Santa Maria.
  • Alexandre Soares Freire da Costa – Capitão da PM-SE, criador do Projeto Agrevida, que já atendeu mais de 25 mil pessoas com ações educativas contra drogas, violência e abuso.
  • Jumara Porto Pinheiro – Juíza coordenadora da Mulher no TJSE, essencial na proteção de mulheres em situação de violência.
  • José Alves Filho – Coordenador das pastorais sociais, referência na articulação comunitária com foco na dignidade dos mais vulneráveis.

Um Estado que ouve e reconhece

Durante a cerimônia, o presidente da Alese, deputado Jeferson Andrade (PSD), não economizou nas palavras: “A medalha é uma forma de reconhecer quem está na trincheira, muitas vezes sem qualquer apoio, defendendo direitos que ainda são tratados como luxo neste país”.

Já a deputada Linda Brasil (Psol), presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos, foi direta:

“É uma medalha que prestigia quem defende a dignidade de pessoas em situação de vulnerabilidade. Isso não é opcional. É obrigação do Estado.”

A secretária Érica Mitidieri, ao receber a medalha, fez questão de dividir o mérito com sua equipe. E com razão. Sob sua gestão, a Seasic promoveu conferências temáticas nos 75 municípios sergipanos, abrangendo temas como igualdade racial, direitos da criança e adolescente, da pessoa com deficiência e da pessoa idosa. Um feito que, numa conjuntura de retrocessos, é quase revolucionário.

Entre aplausos e recados

A cerimônia da Alese foi mais que um evento. Foi um recado. Num Brasil onde direitos humanos ainda são tratados como “coisa de bandido” por setores que se alimentam da ignorância e do medo, Sergipe lembrou que há, sim, quem lute com coerência e entrega.

Essas medalhas não são troféus. São âncoras morais num país que tenta, todo dia, afundar o barco da justiça social.



👉 E você, conhece alguém que merece uma medalha dessas e nunca foi reconhecido? Conta pra gente nos comentários. Compartilha essa matéria e marca aquela pessoa que faz a diferença, mesmo sem palco.


Fontes Principais:
G1 Sergipe, Assembleia Legislativa de Sergipe, Governo de Sergipe, Seasic

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