Nos últimos meses, a Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) parece mais uma biblioteca do que uma casa de debates. Poucas divergências, quase nenhum embate e um silêncio que diz muito. A pergunta que não quer calar: onde foi parar a independência do legislativo sergipano?
Enquanto isso, basta dar uma olhada na Câmara de Aracaju. Lá, o clima é outro — discursos firmes, trocas de farpas, debates intensos. Pode-se até não concordar com tudo, mas ninguém pode negar: existe vida política ali dentro. A diferença entre as duas casas virou contraste gritante — e constrangedor.
O Legislativo que deixou de legislar
A Alese, que deveria ser o espaço natural do confronto de ideias, hoje mais parece uma extensão do Palácio. Pauta controlada, discursos previsíveis e pouca oposição real.
Não há problema em manter harmonia entre os poderes — o problema é quando essa harmonia vira submissão.
A política sergipana precisa de um parlamento que incomode, questione e proponha.
Mas o que se vê é uma docilidade preocupante, um comportamento que parece mais voltado a agradar o Executivo do que representar o povo.
Sergipe precisa de debate, não de plateia
Debate não é sinônimo de briga, é sinal de vida democrática. Quando todo mundo fala a mesma língua, algo está errado.
O papel do deputado não é apenas votar projetos, mas discuti-los à exaustão, garantir transparência e defender o cidadão — e isso só se faz com debate.
Enquanto o plenário da Alese ecoa o silêncio dos conformados, a Câmara de Aracaju segue fervendo. Há embates, sim — e há democracia em movimento.
É disso que Sergipe precisa: um legislativo que tenha pulso, voz e coragem para se posicionar.
A próxima legislatura vai acordar?
A pergunta que fica é simples: será que na próxima legislatura a Alese vai reencontrar sua voz?
O povo sergipano não precisa de deputados de gabinete, mas de representantes com pegada, discurso e posição.
O eleitor quer ver quem está defendendo o quê — e quem está apenas ocupando cadeira.
Silêncio pode ser sinal de paz, mas na política, muitas vezes, é sinal de acomodação.
✍️ Por Jessinho News
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Fontes Principais:
- Sessões da Assembleia Legislativa de Sergipe
- Câmara Municipal de Aracaju
- Bastidores políticos locais




