A nova pesquisa do Instituto França de Pesquisa (IFP) sobre as intenções de voto para deputado federal no Agreste sergipano mexeu com os bastidores da política e confirmou aquilo que muitos já sabiam: a liderança de Ícaro de Valmir não apenas existe, como se consolida com folga na região. O levantamento, feito em cidades como Itabaiana, Moita Bonita, Areia Branca, Frei Paulo,Ribeirópolis e outras, mostra o filho de Valmir de Francisquinho disparado na frente, com 15,79% das intenções de voto, deixando claro que o sobrenome Francisquinho continua sendo um passaporte eleitoral fortíssimo no Agreste.

Logo atrás surge o nome de Anderson de Zé das Canas, que aparece com 7,89%. Ex-prefeito de Frei Paulo por dois mandatos e figura tradicional da política do agreste, Anderson não é um novato e sabe muito bem onde pisa. Sua força vem de décadas de atuação, seja em Itabaiana como vereador, seja no comando de Frei Paulo, onde conseguiu até eleger o próprio sucessor. O número expressivo mostra que ele continua competitivo e com espaço para crescer.

O deputado João Daniel, do PT, aparece em seguida com 1,32%, trazendo consigo o peso da sua base histórica no sertão e no alto agreste. Ele avança em áreas como Nossa Senhora da Glória, Monte Alegre, Canindé e Poço Redondo, mas ainda assim consegue ser lembrado no Agreste central, o que demonstra capilaridade política e reconhecimento da sua atuação. Também com 1,32%, surge Alex Henrique, liderança emergente de Itabaiana, que mesmo sendo um nome mais recente já consegue se destacar justamente pela força que o município exerce em qualquer recorte eleitoral da região.

Mas os números que chamam a atenção de forma especial são os de Yandra Moura e Gustinho Ribeiro, ambos citados com 0,88%. Num cenário altamente bairrista como o do agreste, em que o eleitor prefere votar nos “seus”, aparecer com quase 1% sem ser do núcleo duro da região é algo a ser considerado com seriedade. Yandra Moura mostra que a trajetória política da família Moura ainda ecoa forte e que sua atuação como deputada federal começa a ressoar além das bases tradicionais. O simples fato de ser lembrada espontaneamente em Itabaiana e municípios vizinhos já é um indicador de que ela está conseguindo abrir espaço num terreno difícil. Já Gustinho Ribeiro, que também aparece com o mesmo percentual, confirma o resultado de um trabalho de base consistente ne região. Gustinho tem se movimentado, se aproximado de lideranças e, pouco a pouco, vai fincando bandeira no agreste, uma região que, quando bem trabalhada, costuma retribuir nas urnas.

Outros nomes surgem com percentuais menores, como Emília Corrêa e Fábio Henrique, ambos com 0,44%, lembrados muito mais pelo recall e pela visibilidade pública do que por um trabalho direto no Agreste. O mesmo acontece com Tiago de Joaldo (0,44%), que aparece pontuando, embora sem bases sólidas na região. Já o dado mais expressivo fora dos candidatos é o de indecisos e eleitores que não souberam ou não quiseram responder, que chega a 60,09%, além de 10,53% de brancos e nulos. Esse contingente mostra que há muito espaço para crescimento e que a disputa ainda pode se movimentar bastante.

No entanto, a leitura geral é clara: o Agreste continua sendo um reduto fortemente bairrista, em que nomes da própria região têm muito mais vantagem do que outsiders. É por isso que os três mais bem posicionados: Ícaro de Valmir, Anderson das Canas e Alex Henrique, são todos filhos da terra. Mas isso não tira o mérito de Yandra Moura e Gustinho Ribeiro, que, mesmo sem serem naturais da região, conseguiram fincar posição e demonstrar presença. São percentuais pequenos, é verdade, mas em política, especialmente em regiões resistentes a “forasteiros”, isso já é sinal de trabalho de bastidor bem feito e de que há margem para crescimento.
Assim, a pesquisa do Instituto França não apenas reforça a hegemonia política de Ícaro de Valmir e a força de Valmir de Francisquinho, como também revela que o tabuleiro está longe de ser estático. Anderson das Canas continua firme no jogo, João Daniel mantém sua base em evidência, Alex Henrique busca consolidar espaço, e nomes como Yandra Moura e Gustinho Ribeiro já começam a aparecer no radar agrestino, mostrando que o eleitorado, ainda que fiel aos da região, está aberto a reconhecer quem trabalha e se aproxima da comunidade.
No fim, o recado da pesquisa é direto: quem quiser sonhar com grandes voos em Sergipe não pode ignorar o Agreste. E, por enquanto, quem reina absoluto por lá continua sendo Ícaro de Valmir, com Valmir de Francisquinho ainda como a sombra e o farol político da região




