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Itabaiana em modo Agro: A Sealba que virou evento de Estado

A Sealba em Itabaiana já não é mais apenas uma feira do agro. Virou quase um estado de espírito. Durante alguns dias, a cidade troca o ronco dos caminhões pelo ronco das máquinas agrícolas, e ninguém estranha. Pelo contrário: Itabaiana assume com gosto o papel de capital improvisada do agronegócio nordestino, com direito a parque cheio, agenda disputada e aquele clima típico de evento que deu certo e agora precisa aprender a lidar com o próprio sucesso.

Os pontos positivos aparecem logo na entrada. A Sealba é feira de negócio de verdade, não vitrine de folder. Tem máquina grande, tecnologia, crédito, conversa séria e aperto de mão que vira contrato. A economia local agradece. Hotéis lotados, restaurantes sem mesa, bares funcionando em escala de plantão e o comércio sorrindo como quem reencontra um velho amigo chamado fluxo de caixa. É o tipo de evento que faz o itabaianense perdoar até o trânsito caótico, porque caos com dinheiro circulando sempre soa mais simpático.

No campo político, todo mundo fez questão de marcar presença, e não foi por acaso. Valmir de Francisquinho, como prefeito anfitrião, tratou a Sealba como vitrine da cidade, reforçando apoio total da Prefeitura e repetindo o mantra que já virou quase slogan informal: Itabaiana não só recebe a feira, ela abraça. Do lado do governo do Estado, o tom foi o mesmo. O governador Fábio Mitidieri apareceu no discurso institucional destacando investimento, visibilidade e fortalecimento do agro sergipano. Em resumo, ninguém quis ficar fora da foto, porque feira cheia rende mais prestígio que palanque vazio.

Claro que nem tudo são flores, ou melhor, nem tudo são lavouras bem irrigadas. A Sealba já sofre dos problemas clássicos de quem cresce rápido demais: trânsito complicado, estacionamento disputado, fila em horário de pico e aquela sensação de que sempre cabe mais uma melhoria na logística. Há também o desafio permanente de equilibrar o espaço entre grandes empresas e pequenos produtores, para que ninguém vire figurante num evento que nasceu justamente para integrar. Mas esses “problemas” são quase elogios disfarçados. São dores de crescimento, não sinais de fracasso.

No saldo final, a Sealba segue sendo uma das melhores notícias do calendário sergipano. Coloca Itabaiana no mapa regional do agro, movimenta a economia, aproxima política, setor produtivo e público, e ainda rende assunto para a semana inteira. É feira que faz barulho, gera negócio e deixa a cidade com aquela sensação boa de dever cumprido. Se continuar assim, a Sealba corre sério risco de virar tradição. E, em Sergipe, tradição que dá dinheiro costuma durar.

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