Na Câmara Municipal de Itabaiana, existe uma linha muito fina e perigosa entre a fiscalização firme e o abuso de autoridade que afronta os princípios da ética pública. É justamente nesse limite que atua o vereador Alex Henrique Souza Ferreira, cujo comportamento combativo, somado a episódios marcados por denúncias de excessos, torna não apenas legítima, mas necessária, a decisão da Casa Legislativa de encaminhá-lo à Comissão de Ética. Foi uma medida correta, prudente e, acima de tudo, essencial para preservar o respeito e o equilíbrio dentro do Parlamento itabaianense.
Alex Henrique não é um recém-chegado ao debate público. Eleito pelo União Brasil, com experiência no rádio e forte presença política local, carrega consigo uma aura de militância e de voz ativa. Sua trajetória merece respeito, mas não está imune ao escrutínio público, especialmente quando acusações graves pairam sobre sua conduta.
Entre essas acusações está o episódio da “visita” ao SESP, em que uma diretora de unidade afirma ter sido agredida física e verbalmente, chegando ao ponto de, segundo denúncias, ter tido um dedo quebrado. Para muitos, esse fato ultrapassa o âmbito da política e adentra o terreno da violência institucionalizada. Nesse contexto, a decisão da Câmara Municipal de Itabaiana de aprovar por 10 votos a favor, contra 4, o projeto para que Alex Henrique seja investigado pela Comissão de Ética não só é legítima como necessária.
O requerimento foi apresentado pelo vereador Edivaldo da Big Estampa, com respaldo de colegas que entendem que mandato não confere licença para agressão. A justificativa é clara: o estatuto do servidor público não admite que qualquer agente, nem mesmo vereador, viole o decoro ou cometa agressão contra servidor no exercício da função. A proposta não implica condenação, mas exige apuração, pois é função do Legislativo garantir que seus próprios membros respeitem limites de civilidade e formalidade.
O voto do vereador Amâncio do Hospital merece destaque. Ele, que também é oposição ao prefeito Valmir de Francisquinho (reeleito para o novo mandato) votou favoravelmente à abertura do processo ético contra Alex, dizendo que não se trata de jogo político, mas de exigência de decoro. Ele afirmou: “a diretora tem direito de acusar, e ele tem direito de se defender” e que o Legislativo não pode fechar os olhos frente a alegações graves.
É preciso insistir: condenar não é apenas apontar erros alheios. É dever de todo vereador (inclusive de Alex Henrique) denunciar abusos, fiscalizar o prefeito, questionar colegas, mostrar o que está certo e o que está errado. Esse é o cerne da oposição responsável. Mas quando o fiscalizador vira agressor, ou é acusado disso, o abuso deixa de ser legítimo e entra no terreno do autoritarismo.
Não se trata de engessar o mandato de Alex Henrique, mas de tratá-lo como se fossem todos: um agente público sujeito às mesmas regras, à mesma ética. A Comissão de Ética tem papel essencial, não como tribunal político movido por interesses de grupos, mas como instância moral de correção interna do Parlamento. Se permitido que agressores permaneçam sem prestação de contas, perdemos todos: o vereador, a instituição, o município.
Que a comissão vá adiante e faça seu trabalho com transparência. Que Alex Henrique responda, que apresente sua versão, que devolva seu respeto ao decoro, sem que isso se transforme em vitimização ou acusação genérica de perseguição. Que os demais vereadores aproveitem esse momento para consolidar a cultura da responsabilidade política.
Porque no fim das contas, não basta protestar. É preciso que a crítica seja limpa, fundamentada e respeitosa e que, nos autos da ética, não haja espaço para abuso que fere o papel institucional. Se Alex Henrique cruzou essa linha, que ele seja cobrado por ela. E se há verdade em sua voz, que ela sobreviva ao teste da Comissão de Ética, mais forte, e mais legítima.




