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Janja avisou, Lula ignorou e o PT pagou o mico!

A campanha de Lula conseguiu uma façanha: foi à internet buscar votos e voltou carregando uma crise política. Janja teria alertado contra a aproximação com a deputada eleita Ana Elisa, disparando: “Só se for pra perder mesmo”. A equipe ignorou o risco, Lula gravou vídeos com a influenciadora e antigas publicações provocaram uma avalanche de críticas. O episódio escancara uma campanha que parece ter mais entusiasmo por curtidas do que capacidade de avaliar consequências. Janja teria percebido em uma frase aquilo que os estrategistas, mesmo cercados de assessores, não conseguiram antecipar.

Ana Elisa reconheceu parte das publicações controversas sobre religião e adversários, pediu desculpas e alegou mudança de pensamento. Também contestou a autenticidade de uma imagem. Mas quais convicções abandonou? Quais permanecem? A campanha queria apresentar uma jovem representante da renovação política e terminou tendo de administrar explicações sobre seu passado digital. O PT tentou vender modernidade, mas esqueceu de conferir o conteúdo da embalagem. A internet tem memória, e pedido de desculpas não substitui esclarecimento.

O mais grave é a aparente incompetência dos filtros da comunicação de Lula. Quem examinou o histórico da influenciadora? Quem autorizou a associação de imagens? Quem avaliou os riscos políticos? Uma campanha presidencial não pode funcionar como grupo de amigos escolhendo convidados para gravar vídeos. Lula, veterano de tantas disputas, deveria exigir profissionalismo, não improvisação disfarçada de estratégia. É uma operação de comunicação que parece especializada em criar o problema, produzir a crise e depois contratar explicações para o próprio desastre. Muito marqueteiro, pouca estratégia e um constrangimento que poderia ter sido evitado.

Ana Elisa merece proteção contra ameaças criminosas, mas deve esclarecer suas declarações. Lula, por sua vez, precisa responder pela qualidade das decisões tomadas em sua campanha. Quanto a Janja, caso tenha realmente feito o alerta, demonstrou uma percepção política que faltou aos responsáveis pela estratégia. A ironia é cruel: o presidente, acostumado a dar aulas de política, talvez tenha ignorado a única pessoa que enxergou o problema antes de sua explosão. No fim, a campanha ganhou desgaste, os adversários ganharam argumentos e Janja pode ter conquistado o direito de encerrar qualquer discussão no Alvorada com quatro palavras: “Eu não avisei?”

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