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Jean Rezende ataca a honrada Polícia Militar de Sergipe e provoca reação institucional

A segurança pública não é campeonato de vaidade corporativa. É engrenagem constitucional. E quando uma das peças resolve fazer barulho demais, o risco não é interno, é social. As declarações recentes do presidente do SINPOL/SE, Jean Rezende, reacenderam uma tensão histórica entre Polícia Civil e Polícia Militar, mas tocaram em um ponto delicado demais para ser tratado com simplificações retóricas. A Constituição Federal, no artigo 144, não cria concorrência, cria complementaridade. Polícia Militar faz policiamento ostensivo e preservação da ordem. Polícia Civil faz investigação e polícia judiciária. Não é disputa de palco, é divisão de função.

Quando se sugere que é “mais fácil vestir farda e fazer policiamento ostensivo do que investigar”, o problema não está na defesa da complexidade da investigação, que de fato exige técnica probatória, cadeia de custódia, laudos e articulação com Ministério Público e Judiciário. O problema está na comparação que soa como rebaixamento da atividade ostensiva. E atividade ostensiva, convenhamos, não é passeio de viatura. É enfrentamento diário, é abordagem em área de risco, é ocorrência em madrugada, é corpo a corpo com a imprevisibilidade da rua.

A Polícia Militar do Estado de Sergipe, que neste ano completa 192 anos de existência, não é improviso fardado. São mais de 10.500 homens e mulheres, entre ativos e reserva, submetidos a formação técnica estruturada. O Curso de Formação de Soldados dura cerca de um ano, com disciplinas de Direito Penal, Processual Penal, Direitos Humanos, armamento, tiro, técnicas de patrulhamento, controle de distúrbios civis, defesa pessoal e noções de investigação. Não se trata de “pegar um fuzil e sair”, trata-se de formação jurídica, física, psicológica e operacional rigorosa.

Os oficiais passam por curso de dois a três anos, com formação em gestão, liderança, estratégia, inteligência policial e comando de tropa. A estrutura é acadêmica e operacional. A PM de Sergipe, inclusive, tem histórico de operações relevantes no combate ao tráfico, no enfrentamento a organizações criminosas e na redução de indicadores em áreas críticas. A ostensividade não é simples presença, é prevenção ativa que evita que o crime se consolide. Quando a PM age, muitas vezes impede que o fato sequer vire inquérito.

A investigação é complexa. Sim. Mas o trabalho ostensivo também é. A diferença é que um aparece no processo, o outro aparece na rua. Um produz prova, o outro evita cadáver. Um trabalha no silêncio técnico, o outro trabalha sob tensão pública. Reduzir a atividade ostensiva a algo trivial não fortalece a Polícia Civil, apenas gera ruído institucional.

O debate legítimo é outro. Falta efetivo na Polícia Civil? É pauta justa. Precisa ampliar estrutura de investigação? Fundamental. Mas a solução não é criar narrativa de hierarquia entre funções constitucionais. A sociedade não quer saber se a viatura é azul ou branca, quer resposta rápida, prevenção eficaz e investigação eficiente. Conflito corporativo enfraquece o sistema inteiro.

Segurança pública não funciona por competição de ego. Funciona por integração. Quando a PM prende em flagrante, a Civil investiga. Quando a Civil identifica organização criminosa, a PM executa mandado com suporte operacional. É ciclo. É engrenagem. E engrenagem não gira quando as peças começam a disputar protagonismo.

Crítica institucional é saudável. Desqualificação comparativa é perigosa. Em um estado onde os índices de violência exigem cooperação máxima, qualquer discurso que sugira superioridade funcional é combustível desnecessário. A Constituição já dividiu tarefas. O desafio não é redefinir papéis, é cumprir cada um com excelência e respeito mútuo.

No fim, o cidadão não aplaude conflito interno. Ele quer segurança. E segurança se constrói com polícia ostensiva forte, investigação técnica eficiente e liderança institucional responsável. O resto é barulho. E barulho, em matéria de segurança pública, nunca foi sinônimo de resultado.

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