Jorginho Araújo chega à reeleição como uma figura rara da política sergipana: deputado eleito, ex-chefe forte da Casa Civil, amigo do governador e, nos bastidores, conhecido como Peito de Pombo. Foi eleito em 2022 com 23.854 votos e passou boa parte do mandato perto do coração do poder. Tão perto que muita liderança achava que, para falar com Fábio Mitidieri, precisava primeiro pedir licença ao pombo da portaria. Quem era atendido chamava de articulação. Quem ficava esperando chamava de gaiola com ar-condicionado.
Agora, abriu as asas para Umbaúba e pousou bonito no terreiro de Juliana do Mamão. Nas redes e nos sites, o que aparece é parceria administrativa, entrega de ambulância, respirador, obra, pavimentação e foto de agenda. Mas a política sergipana, meu amigo, não perdoa nem bom dia em story. Bastou Jorginho aparecer demais ao lado de Juliana para a turma começar a dizer que o pombo baixou no mamoeiro e não quer mais sair. É mamão, é pombo, é obra, é pose, é sorriso e o grupo Maravilha olhando de longe como quem perdeu o controle remoto da própria cidade.
O desconforto dos Maravilha é compreensível. Umbaúba, que já parecia lago privado do Pato, agora virou pomar político. Pato bate asa de um lado, Juliana corta mamão do outro, e Jorginho chega no meio com peito estufado, cara de gestor e jeito de quem diz: “calma, turma, eu só vim ajudar”. Só que em política, quando o sujeito “só vem ajudar” e começa a aparecer em toda foto, toda entrega e toda conversa, o antigo dono do terreiro já sente a sombra chegando antes do discurso.
E o governo fica naquela saia justa deliciosa. Fábio gosta de Jorginho. Jorginho é do grupo, é homem de confiança, é cria do Palácio. Então, se os Maravilha reclamam, o governador escuta com cara de padre em confissão política: compreende a dor, mas não manda Jorginho levantar voo. É aquela paz governista de velório: todo mundo fala baixo, todo mundo se abraça, mas por dentro tem gente escolhendo a cor da coroa de flores.
Jorginho é competitivo, tem acesso, estrutura, articulação e sabe fazer política com mapa, telefone e agenda cheia. Mas precisa provar que não é só o pombo correio do Palácio nem o novo jardineiro eleitoral do mamoeiro de Umbaúba. Porque amizade com governador ajuda, pouso em prefeitura ajuda, foto com prefeita ajuda. Só que na urna o eleitor pergunta sem romantismo nenhum: “Peito de Pombo trouxe serviço ou só ficou batendo asa bonito perto do poder?”




