Juca de Bala é, sem dúvida, uma das figuras mais marcantes da política de Laranjeiras. Conhecido como o “prefeito das redes sociais”, construiu uma imagem pública que mistura carisma, cuidado com a aparência e presença constante no cenário digital. Sempre bem-vestido e atualizado com as tendências, Juca transformou a comunicação em uma de suas principais ferramentas de liderança.
Na entrevista concedida hoje, dia 10, ao radialista George Magalhães, Juca deixou claro que pretende abrir caminho para o filho Antônio de Juca Bala, de 25 anos, como candidato a deputado estadual. Ao afirmar que Laranjeiras nunca teve um representante na Assembleia Legislativa, acabou ignorando trajetórias importantes, como a de Zé Sobral, Jorge Alberto, Paulo Filho, Paulinho das Varzinhas, Marcos Franco (2x) e Zezinho Sobral, todos com vínculos fortes com a cidade. O ponto levantado gerou debates e reações, já que a memória política de Laranjeiras guarda nomes de peso.
Outro momento polêmico foi a crítica dirigida à vereadora Mônica Sobral, tachada por Juca de “inexpressiva”. O que o prefeito esquece de admitir é que Mônica tem sido, na verdade, a única voz de oposição na Câmara, a única que não se cala diante das possíveis irregularidades e que tem coragem de denunciar os fatos da sua gestão. Enquanto Juca ostenta o apoio da maioria dos vereadores, a insistência em atacar Mônica revela mais do que desconforto: mostra o incômodo de quem prefere um Legislativo submisso e não tolera a presença de uma fiscalizadora firme, mesmo isolada em meio a um cenário amplamente favorável ao prefeito.
O silêncio em relação a Marcos Franco também chamou atenção. Antigo aliado e apoiador decisivo em momentos cruciais, Marcos simplesmente não foi mencionado durante toda a entrevista, que se estendeu por mais de uma hora. Ao afirmar que Laranjeiras “não tem mais dono de engenho e que o coronelismo acabou”, Juca deixou no ar a sinalização de um possível rompimento definitivo com a família Franco, em especial com Marcos. A fala ganha ainda mais peso diante do fato de que a Usina Pinheiro, comandada por Osvaldo Franco, votou contra Juca, reforçando a ideia de que uma parceria histórica pode estar chegando ao fim.
Além disso, o prefeito já não mantém a mesma sintonia com Zezinho Sobral, atual vice-governador do Estado. Juca deixou claro que não votará em Zezinho, alegando que ele quebrou o acordo firmado diretamente entre ambos, na presença do governador Fábio Mitidieri e do secretário de governo Jorginho Araújo. O mais contraditório é ver que, mesmo diante dessa quebra, aliados de Zezinho votaram com Juca em 2024. Esse cenário evidencia que, em Laranjeiras, os interesses pessoais e eleitorais continuam se sobrepondo à lealdade e ao respeito institucional.
Há ainda comentários de bastidores sobre uma possível aproximação de Juca com Fábio Reis, movimento que pode redesenhar as alianças para o futuro. Essa articulação, no entanto, tem um efeito colateral evidente: empurra para escanteio o sonho de Marcos Franco de disputar uma cadeira de deputado federal, já que a prioridade política passaria a girar em torno do fortalecimento da parceria com o grupo de Fábio Reis.
No fim das contas, por trás da imagem moderna e conectada que Juca busca transmitir, o que se percebe é um prefeito cuidadoso em seus movimentos, que procura reposicionar seus passos na política estadual, ainda que isso possa significar deixar em segundo plano as pretensões de alguns aliados próximos.




