O Brasil discute política como quem discute futebol em mesa de bar. Todo mundo opina, todo mundo grita, quase ninguém resolve. Enquanto isso, quem realmente sustenta o país segue fora do debate principal. O empresariado. Fala-se do governador, do senador, do deputado, do salário do cargo, da articulação do poder. Quase nunca se fala de quem paga a conta disso tudo. A empresa. O empresário. O sujeito que transforma risco em emprego, imposto em arrecadação e trabalho em funcionamento do Estado.
No Brasil, empresário é tratado como suspeito crônico. Se cresce, incomoda. Se lucra, é atacado. Se quebra, vira estatística. É uma lógica perversa que empurra o debate público para longe do que realmente importa: ambiente de negócios, previsibilidade, instituições e respeito a quem produz. Por isso chama atenção o texto de Juliano César Faria Souto sobre o case Panamá. Não é um texto de palanque. É um texto de quem conhece o chão da fábrica, a folha de pagamento e o peso real de um Estado que muitas vezes cobra muito e entrega pouco. Juliano escreve como empresário que gera empregos em Sergipe, movimenta a economia local e ainda tem lucidez para discutir país sem ideologia rasa.
O ponto central é simples e incômodo: recursos não salvam nações, carisma não constrói futuro e política sem instituições sólidas vira espetáculo caro. O Panamá funciona porque separou gestão de populismo. A Venezuela fracassou porque confundiu riqueza com projeto de poder. O Brasil segue no meio do caminho, flertando perigosamente com soluções fáceis e discursos vazios. Estados que prosperam entendem cedo uma regra básica. Capital não gosta de barulho. Gosta de regra clara. Empresário não pede privilégio. Pede previsibilidade. Quando isso falta, o investimento recua, o emprego some e o Estado começa a morder a própria cauda.
Valorizar o empresariado não é fazer política partidária. É fazer política econômica adulta. É reconhecer que não existe política social sem arrecadação e não existe arrecadação sem empresa funcionando. Enquanto o debate público seguir tratando quem produz como inimigo, o país continuará refém de discurso. E discurso, como se sabe, não paga boleto.
Talvez esteja na hora de falar menos de poder e ouvir mais quem sustenta o país de pé. Nesse sentido, a leitura do texto de Juliano César Faria Souto não é apenas recomendável, é necessária. Porque quando o debate sai do palanque e entra na realidade de quem gera emprego, paga imposto e encara o risco diariamente, o país finalmente começa a conversar com a própria verdade.




