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Lidiane Lucena saiu do consultório, mas precisa sair do modo protocolo

Lidiane Lucena chega à reeleição com força eleitoral, mas também com cobrança no retrovisor. Foi eleita em 2022 com 37.332 votos, uma votação expressiva, especialmente puxada por Aquidabã e pela força política do grupo de Dr. Mário. É médica, preparada, simpática e tem boa imagem pessoal. Mas voto grande também aumenta a conta. Quem entra na Alese com esse tamanho não pode passar quatro anos parecendo que está fazendo plantão parlamentar de meio expediente.

O mandato de Lidiane teve pautas de saúde, mulheres, inclusão, cultura e interior. Tudo correto, tudo bonito, tudo com cara de release bem comportado. O problema é que faltou marca forte. Faltou aquela pauta que o povo olhe e diga: “isso aqui tem a digital dela”. Ela apresentou projetos, fez indicações, participou da rotina legislativa, mas muitas vezes pareceu mais uma deputada protocolar do que uma liderança de impacto. Em linguagem de feira: tinha banca montada, tinha produto, mas faltou gritar mais alto para o freguês saber o que estava vendendo.

Nos últimos meses, porém, Lidiane acordou para a rua. Começou a aparecer mais em eventos, festas, bases e encontros pelo interior. Até festa pequena entrou no roteiro, porque em ano pré-eleitoral não existe evento pequeno, existe voto mal iluminado. A mudança é positiva, mas também revela a contradição: por que só agora tanta presença? O eleitor percebe quando o político passa três anos no modo silencioso e, perto da eleição, descobre que povo existe, aperta mão, dança forró e ainda pergunta pela estrada.

O ponto mais delicado está em Aquidabã, seu principal reduto. A prefeita Ana Helena, do mesmo grupo político, enfrenta críticas de adversários por suposta pouca presença no município. E, goste ou não, Lidiane carrega parte dessa conta, porque política de grupo é casamento com comunhão total de desgaste. Quando a prefeitura vai bem, todo mundo aparece na foto. Quando a reclamação cresce, ninguém pode fingir que estava no banheiro. O grupo de Dr. Mário é forte, tradicional e sabe fazer política, mas também precisa mostrar entrega concreta, não apenas controle de base.

A candidatura de Lidiane é competitiva, sem dúvida. Ela tem voto, grupo, profissão respeitada e estrutura. Mas precisa convencer o eleitor de que o segundo mandato será mais forte que o primeiro. A pergunta é simples: Lidiane quer renovar o mandato para liderar ou apenas para continuar ocupando a cadeira com elegância? Porque simpatia ajuda, jaleco impressiona e grupo político empurra. Mas, na urna, o povo quer saber se a doutora trouxe remédio, obra e presença ou se ficou só passando receita legislativa com letra bonita.

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