Linda, minha querida, senta aqui um minutinho, porque essa conversa é com carinho, mas com a firmeza de quem não tem medo de falar a verdade. Você é inteligente, articulada e tem um carisma que atrai olhares, qualities que muitas parlamentares sonham em ter. Mas, vamos combinar? Quando o palco é uma escola pública, a regra do jogo muda completamente.
O caso envolvendo você e o Escola Sem Partido virou assunto de corredor político e agora de tribunais. E não é para menos. Não se trata de um debate raso sobre “esquerda x direita”, e sim de um princípio básico: escola não é palanque. Ainda que as suas pautas sejam legítimas, ainda que a sua luta por inclusão seja necessária, existe um limite tênue entre educação cidadã e proselitismo político-ideológico e é exatamente nesse ponto que você tropeçou.
As imagens nas redes sociais, os vídeos em ambiente escolar… tudo pode até ter sido com a melhor das intenções, mas política não se faz com “boa intenção”, Linda, se faz com responsabilidade institucional. E quando o coordenador do Escola Sem Partido, Miguel Nagib, ironiza dizendo “ou proíbe tudo ou abre a fila para todos os partidos entrarem”, ele não está só cutucando você, está cutucando o próprio sistema.
E aqui, um toque de humor, porque sem ele ninguém aguenta: imagine uma fila de políticos na porta das escolas com cartazinho na mão “Aceita uma palestra do meu partido, professora?”, o caos seria garantido e o aprendizado das crianças, esse sim, ficaria de escanteio.
Não estou aqui para passar pano para o Escola Sem Partido, longe disso, o movimento tem sua cota de polêmicas. Mas o processo de R$ 1 milhão, encabeçado com a ajuda do vereador Lúcio Flávio (PL), acendeu um sinal de alerta: é perigoso dar munição ao adversário com atitudes que beiram a ingenuidade política.
Linda, você é brilhante, mas precisa escolher melhor os ringues onde luta. Se a sua causa é legítima e muitas vezes é, ela se fortalece quando respeita o espaço público e suas regras. A escola deve ser território de aprendizado plural, e não de militância, seja de quem for.
Portanto, minha cara, um conselho de quem já viu muita gente linda, talentosa e bem-intencionada cair por detalhes: continue lutando, mas com a cabeça fria e os pés fora da sala de aula. Porque política se faz na tribuna, nas ruas, nos debates… não na lousa. E, cá entre nós, você é muito boa para desperdiçar capital político com erros tão básicos.




