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Linda Brasil: muita cor, muito barulho e a cobrança chegando

Linda Brasil chega à reeleição como uma das figuras mais barulhentas e simbólicas da Alese. Foi eleita com 28.704 votos, fez história como primeira mulher trans na Assembleia e construiu um mandato fortemente ligado ao PSOL, aos direitos humanos, à pauta LGBTQIA+, à esquerda e à oposição ao governo Fábio Mitidieri. Ela tem coragem, presença e discurso. Entra no plenário como quem acende luz colorida em repartição pública: uns aplaudem, outros reclamam, mas ninguém consegue fingir que não viu.

O mandato teve produção e enfrentamento. Linda apresentou projetos, emendas, cobrou o governo, criticou a privatização da Deso, falou da crise da Iguá, bateu em políticas públicas e virou uma das vozes mais duras da oposição. O problema é que, às vezes, a crítica parece viver de megafone. Aponta o vazamento, denuncia o cano, chama coletiva sobre a água no chão, mas o eleitor também quer saber se ajudou a consertar alguma coisa. Fiscalizar é essencial. Mas oposição que só grita pode virar sirene: chama atenção, incomoda, mas não resolve o incêndio sozinha.

Sua força também é seu limite. Linda representa uma parcela real da sociedade e enfrenta preconceitos graves, inclusive ataques transfóbicos que não têm lugar no debate democrático. Mas politicamente ela precisa ampliar o discurso. Não basta falar para a própria bolha, onde todo mundo já concorda antes mesmo do primeiro parágrafo. O povo quer respeito, diversidade e direitos, sim. Mas quer também ônibus, saúde, escola, segurança, emprego e água na torneira. Identidade abre porta. Entrega mantém o eleitor dentro da sala.

Por isso, a reeleição de Linda deve ser observada com atenção. Ela tem militância, voto fiel, presença digital e produção legislativa. Mas precisa provar que é mais que símbolo e mais que incômodo ao governo. A pergunta do eleitor sergipano é simples: Linda está transformando barulho em resultado ou apenas colorindo a oposição com frases fortes e pouca entrega prática? Porque discurso bonito ilumina plenário. Mas, na vida real, o povo quer saber se a luz chega também na casa dele.

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