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Luciano Pimentel: mandato morno, voto fiel e mudança de última hora

Luciano Pimentel chega à disputa de 2026 tentando renovar o mandato mais uma vez na Assembleia Legislativa de Sergipe. Hoje no exercício do terceiro mandato, ele foi reeleito em 2022 pelo PP com 18.073 votos, votação que garantiu sua permanência na Alese e mostrou uma base espalhada pelo estado, ainda que sem aquele estouro de urna de quem entra carregado nos braços da multidão. Agora, aparece oficialmente na Casa pelo PL, depois de deixar o PP na janela partidária de 2026, num movimento que reacomodou várias peças da política sergipana. Foi aquela troca de legenda no apagar das luzes: fecha a porta, muda a camisa, ajeita o discurso e segue o baile como se a fotografia antiga nunca tivesse existido.

Sua força política passa pela ligação histórica com o senador Laércio Oliveira. Luciano é daqueles candidatos que não costumam explodir em votação, mas também não desaparecem. Trabalha numa faixa mais modesta, com votação de sobrevivência consistente, suficiente para entrar no jogo proporcional quando a engenharia partidária ajuda. Não é um fenômeno de praça cheia, nem um terremoto eleitoral. É mais aquele político de voto contado, planilha aberta e calculadora no bolso. Em 2026, a ida para o PL pode ser lida como tentativa de encontrar uma chapa mais viável do que a federação PP e União Brasil, onde a concorrência ficou mais pesada. 

No mandato, Luciano tem pautas relevantes, especialmente energia solar, autismo, cannabis medicinal, epilepsia, educação financeira, Hino de Sergipe, jogos online e infraestrutura. A Política Estadual de Cannabis Medicinal, de sua autoria, ganhou destaque nacional e já atende pacientes na rede pública, segundo dados divulgados na Alese. Ele também assumiu a presidência da Comissão de Infraestrutura, Minas e Energia da Unale, reforçando sua imagem ligada ao debate energético. Ou seja, há produção. O problema é o volume político: Luciano faz, mas faz com aquele estilo de quem entra pela lateral, entrega o documento e sai antes do cafezinho esfriar. 

O ponto crítico é que Luciano não é exatamente um deputado de combustão. Seu mandato raramente incendeia a tribuna, raramente cria crise e quase nunca vira assunto quente nos bastidores. Para aliados, isso é equilíbrio. Para críticos, é banho-maria parlamentar. Nos últimos meses, o episódio mais visível foi seu afastamento por motivo de saúde e o retorno à Casa, ocasião em que agradeceu apoio político e humano de Laércio Oliveira e elogiou o governo Fábio Mitidieri. Também participa de comissões como Saúde, Obras Públicas, Educação, Defesa do Consumidor e Conselho de Ética. Mas o eleitor pode perguntar com maldade sergipana: Luciano está trabalhando em silêncio ou o silêncio virou método de trabalho? 

Por isso, a reeleição de Luciano Pimentel deve ser analisada sem empolgação artificial e sem injustiça. Ele tem experiência, base, padrinho forte, produção legislativa em temas importantes e um perfil técnico. Mas também precisa convencer que sua permanência na Alese não será apenas mais uma temporada de mandato morno, sem grandes enfrentamentos e sem marca popular mais clara. Em política, discrição é qualidade; invisibilidade é problema. Luciano entra competitivo se a nova engenharia partidária funcionar. Mas, na urna, o eleitor sergipano pode perguntar: o deputado mudou para o PL para ampliar serviço ou só para achar uma cadeira mais confortável no salão?

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