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Fux pula fora da Primeira Turma após isolar-se no STF e bater de frente com Gilmar Mendes

O ministro Luiz Fux está saindo pela porta dos fundos da Primeira Turma do STF. Depois de um voto solitário pela absolvição de Jair Bolsonaro na trama golpista — e de bater boca com Gilmar Mendes —, Fux pediu transferência para a Segunda Turma. Coincidência? Ninguém no Supremo parece acreditar.

O voto que isolou Fux no STF

Desde setembro de 2025, quando decidiu absolver Bolsonaro enquanto todos os colegas votavam por condenação, Fux virou um corpo estranho no STF. Não que o Supremo seja um bloco coeso — longe disso —, mas o isolamento de Fux foi explícito. No julgamento do núcleo 4 da trama golpista, ele insistiu na tese de absolver todos os réus. Resultado? Ainda mais tensão interna.

Se antes já havia ruído, depois da divergência sobre Bolsonaro o convívio virou um campo minado. E o ministro parece ter sentido o baque. A relação com os demais integrantes da Primeira Turma ficou, segundo fontes do próprio STF, “praticamente insustentável”.

Despedida disfarçada de permuta

Nesta terça-feira (21), Fux enviou um ofício ao presidente Edson Fachin pedindo para ser transferido para a Segunda Turma. No documento, citou o artigo 19 do Regimento Interno do STF e alegou que a troca já tinha sido combinada com Barroso desde 2024 — aquele mesmo Barroso que antecipou a aposentadoria e abriu a vaga.

Mas a tal “permutinha” soa mais como pretexto conveniente. Especialmente diante do fato de que, se aprovada, a mudança jogaria Fux justamente ao lado de Gilmar Mendes — o ministro com quem trocou farpas públicas na semana passada. É ou não é ironia do destino?

Gilmar, terapia e Lava Jato: o barraco

O embate entre Fux e Gilmar foi digno de novela institucional. Durante o intervalo de uma sessão, Gilmar não economizou: chamou Fux de “figura lamentável” e sugeriu que ele buscasse terapia para superar a Lava Jato. Tudo isso diante de colegas, em pleno STF.

O estopim foi o voto de 12 horas de Fux, no qual defendeu a absolvição de Bolsonaro, mas não de seus auxiliares. Gilmar ironizou: “Absolve o presidente e condena o mordomo?”. A resposta veio em tom jurídico: Fux acusou Gilmar de ferir a Lei Orgânica da Magistratura por comentar casos de uma turma da qual não faz parte. Um teatrinho judicial que ninguém pediu — mas todo mundo assistiu.

A dança das cadeiras no Supremo

Com a saída de Fux, a Primeira Turma fica com apenas quatro ministros: Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin e Flávio Dino. Todos, exceto Moraes, foram indicados por Lula. Ou seja: a mudança favorece o Planalto nas ações da trama golpista, todas relatadas por Moraes.

O substituto de Fux deve ser justamente o futuro nome de Lula para a vaga de Barroso. Jorge Messias, atual AGU, é o mais cotado. Se confirmado, o colegiado da Primeira Turma ficará ainda mais alinhado com o governo atual.

Fux quer votar mesmo fora da turma

Antes de sair, Fux ainda pediu a Flávio Dino — presidente da Primeira Turma — para continuar votando nos núcleos da trama golpista que já estão agendados. Dino, cuidadoso, preferiu não decidir nada por conta própria e encaminhou o pedido a Fachin.

O problema: o regimento do STF não esclarece se um ministro pode seguir atuando em processos após trocar de turma. Mais um impasse para apimentar o cenário.

O que está em jogo

Na prática, a saída de Fux da Primeira Turma muda o jogo nos julgamentos do golpe. A tendência é de que os próximos réus enfrentem um colegiado mais homogêneo e, possivelmente, menos inclinado à absolvição.

Quanto a Fux, se a transferência for aprovada, ele passará a conviver com Gilmar Mendes, Dias Toffoli, André Mendonça e Nunes Marques — ou seja, um grupo com uma dinâmica completamente diferente. Resta saber se isso trará paz ou mais ruído ao já turbulento Supremo.



E aí, Fux está fugindo do desgaste ou buscando paz institucional? Comente, compartilhe e continue acompanhando a novela do STF aqui no Portal Fausto Leite.


Fontes principais:

G1, Agência Brasil, CNN Brasil, CartaCapital, InfoMoney, R7, Jovem Pan, YouTube, Regimento Interno do STF

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