Na política sergipana, a memória é seletiva e o perdão anda mais rápido que carro oficial em véspera de eleição. Há menos de 30 dias, Luiz Mitidieri dizia com convicção de quem assina em cartório que não votaria em Rogério Carvalho de jeito nenhum. Agora, no palanque de Carira, surgiu quase em versão romântica de sofrência política, chamando Rogério de “nosso senador” e deixando no ar aquele clima de reconciliação de novela das nove. Foi praticamente um “volta, Rogério, que eu retiro a queixa”. E o eleitor, claro, assistindo tudo com cara de quem perdeu um capítulo importante da série.
A fala foi pública, registrada e com direito a plateia. Luiz Mitidieri soltou o já clássico “o passado é passado” e ainda reforçou que iria se empenhar pela reeleição de Rogério Carvalho. Traduzindo do politiquês para o português de feira: a briga acabou porque 2026 chegou e ninguém quer morrer abraçado com mágoa antiga. A facada virou aperto de mão, o adversário virou parceiro e o que era incompatibilidade ideológica virou “projeto de desenvolvimento”. Na política, meu amigo, até ex vira amor da vida quando a urna ameaça.
E aí entra Alessandro Vieira, olhando essa cena como quem chega na festa e descobre que os ex já voltaram. O isolamento político dele cresce justamente porque o grupo governista fechou a porta e trocou a fechadura. Rogério foi abraçado, André Moura já estava no sofá e Alessandro ficou do lado de fora batendo palma para ver se alguém escuta. Quando Luiz Mitidieri muda de posição e trata Rogério como aliado prioritário, o recado não é sutil: o espaço de Alessandro dentro desse tabuleiro ficou menor que fila preferencial em dia de pagamento.
O mais curioso é a sinceridade involuntária de Luiz Mitidieri quando diz algo na linha do “sempre votei no PT e nunca fui PT”. Isso é quase uma tese de doutorado em sobrevivência eleitoral. É o sujeito dizendo que nunca casou no papel, mas sempre aparecia no almoço de domingo da família. A política sergipana tem dessas relações abertas: ninguém assume completamente, mas todo mundo sabe quem dorme onde. E quando ele chama Rogério de “nosso senador”, a frase não é apenas afeto, é senha de reorganização de poder.
No fundo, a música já explica tudo melhor que qualquer cientista político. “Oh Rita, volta desgramada, volta Rita que eu perdoo a facada.” Troque Rita por Rogério e você entende o roteiro completo. Os Mitidieri já perdoaram tudo. A traição virou parceria, a ausência virou saudade e a divergência virou aliança estratégica. O problema não é perdoar, política vive disso. O problema é pedir para o eleitor fingir que não ouviu o que foi dito há vinte dias. Em Sergipe, até pode perdoar a facada, mas o povo continua lembrando onde foi o corte.





Uma resposta
Estão juntando a quadrilha para roubar a consciência do eleitorado desinformado ou seja analfabeto funcionais politicamente