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Lula, a lobista e a conta que sobra para o aposentado

O Planalto ganhou uma dor de cabeça que não se resolve com nota oficial. Roberta Luchsinger, investigada no caso do chamado Careca do INSS, anunciou intenção de colaborar com a Justiça e rebateu Lula, que a chamou de “pilantra”: “Se sou pilantra, eles também são”. A frase é uma acusação forte e direta. Mas, quando alguém que afirma ter transitado perto do poder resolve falar, o governo deve responder com documentos, não com adjetivos. Brasília adora uma boa narrativa. O aposentado prefere saber onde foi parar seu dinheiro.

O ponto mais delicado é Lulinha. Roberta afirmou que o filho do presidente se reuniu “inúmeras vezes” com ministros. Reuniões não demonstram irregularidade, mas a pergunta é inevitável: com quem, para tratar de quê e com quais consequências? Lula negou conhecer as tratativas e questionou o momento eleitoral das declarações. Pode questionar. Só não pode imaginar que o calendário dispense transparência. Se há registros, agendas e mensagens, que sejam examinados. O poder público não é sala VIP de amizade particular.

Roberta também disse ter virado “boi de piranha” e relatou temor pela segurança da família. A denúncia merece apuração; sua condição de investigada exige igual rigor sobre o que afirma. Anunciar delação não significa fechar acordo nem provar acusações. Enquanto isso, aposentados enfrentam descontos suspeitos e o peso de cada conta doméstica. É difícil pedir paciência a quem conta comprimidos enquanto os personagens de Brasília disputam quem foi mais ofendido diante das câmeras.

Em Sergipe, onde benefícios previdenciários sustentam tantas casas, o escândalo não cabe num duelo de frases entre Lula e a lobista. A pergunta é objetiva: quem teve acesso a autoridades, quais interesses representou e o que a investigação consegue comprovar? Cabe ao governo dar publicidade às informações pertinentes e preservar a apuração independente. Que Roberta apresente provas; que Lula ofereça explicações verificáveis. Porque indignação em microfone não paga remédio, e aposentado nenhum merece descobrir que a prestação de contas virou mais uma promessa eleitoral.

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