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Lula e Boric desafiam Trump: comércio com EUA e China, por que não?

Presidentes defendem autonomia comercial e firmam 14 acordos bilaterais em meio a tensões globais.

Em visita de Estado ao Brasil, o presidente chileno Gabriel Boric defendeu “com muita força” a autonomia estratégica de seu país nas relações internacionais. “Devemos manter relações com diferentes países e regiões, sem precisar escolher entre um e outro”, afirmou, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto. A fala vem na esteira da guerra comercial instaurada por Donald Trump, que impôs tarifas de 10% e ainda deixa rastros na economia sul-americana

Lula foi direto: “Eu não quero escolher entre Estados Unidos ou China. Quero comércio com os dois”. A declaração reforça o espírito da visita: uma aposta clara em diversificação, soberania e integração regional, em oposição à lógica de alinhamentos compulsórios ditados por Washington ou Pequim.

Durante o encontro de três dias em Brasília, os dois presidentes — acompanhados de ministros e empresários — buscaram ampliar as relações comerciais e de investimento entre Chile e Brasil, com foco na construção de uma agenda comum para enfrentar as incertezas econômicas globais.

“É mais importante do que nunca reafirmar vínculos regionais e declarar: somos países amigos, vamos seguir juntos na defesa da democracia, do multilateralismo e da liberdade de comércio”, cravou Boric.

Integração física e diplomática: corredor bioceânico e novos acordos

A visita rendeu a assinatura de 14 novos acordos bilaterais em áreas como agricultura, comércio, defesa, segurança pública, audiovisual e cooperação acadêmica. O pacote amplia os 19 acordos já firmados em 2023 na VI Comissão Bilateral Chile-Brasil, em Santiago.

Outro destaque foi o avanço nas tratativas para construção do corredor bioceânico, que ligará os oceanos Atlântico e Pacífico com uma rede de estradas de 2.400 km, atravessando Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. A iniciativa promete fortalecer a logística regional e reduzir custos para exportações.

Números da parceria e compromissos futuros

Entre 2003 e 2023, o Chile investiu mais de US$ 19 bilhões na economia brasileira, enquanto as empresas brasileiras aportaram quase US$ 3 bilhões no Chile, segundo o Banco Central chileno. Só em 2024, o Chile exportou US$ 5 bilhões ao Brasil, e importou US$ 7,5 bilhões — com crescimento médio anual de 2,4% e 2,8%, respectivamente, na última década.

Boric também antecipou que retornará ao Brasil ainda em seu mandato, com presença garantida na COP30 em Belém do Pará e na próxima cúpula do BRICS, ambos eventos marcados para este ano.

“Lula não é só presidente de um país irmão, é também um amigo. Vamos continuar nossa colaboração em temas como defesa da democracia, desenvolvimento sustentável e enfrentamento ao extremismo com propostas concretas para nossos povos”, publicou o chileno em suas redes sociais.

A visita coincidiu com a primeira celebração do Dia da Amizade Chile-Brasil, marcada para 22 de abril, data do início das relações diplomáticas entre os dois países, em 1836. Uma aliança que, agora, ganha novos contornos — e um recado direto aos que ainda tentam ditar as regras do jogo global.

Fonte: El País

Imagem ilustrativa feita por IA

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