Duas vozes diferentes, dois estilos distintos, mas um mesmo compromisso com a informação, com a verdade, com a palavra. E, acima de tudo, com a ética e a humanidade.
Mônica Dantas, ou Mônica Pinto, ou, para nós, colegas de redação, apenas Mônica. Dona de um texto limpo, afiado e irresistivelmente bonito. Sabia escrever como poucos. Mas, mais do que isso, sabia sentir as palavras. Não à toa, comandava redações, orientava pautas, iluminava reuniões com sua inteligência cortante e, ao mesmo tempo, acolhedora. Tive a honra de trabalhar ao lado dela no Cinform e, ali, aprendi que jornalismo não se faz apenas com apuração, mas com alma. Mônica era feita de retórica e coração. Sabia ouvir, orientar, acolher. Nunca negou ajuda a uma colega, a um amigo, a um desconhecido com um texto engasgado.
E partiu como viveu: discreta, serena e elegante. Dormiu e descansou. Mas deixa uma ausência que grita. Porque, quando parte alguém que sabia pensar e sentir com a mesma intensidade, o mundo fica mesmo mais vazio e o jornalismo, muito mais pobre.
Como se não bastasse essa dor, a manhã desta terça-feira também nos levou André Barros. Um amigo, um companheiro de rádio, de jantares, de política, de embates bons e leais, de trocas profundas. Um jornalista completo: de rádio, de TV, de bastidores, de alma. André era inquieto, firme, provocador, mas sempre respeitoso. Sabia ouvir, sabia contradizer, sabia construir opinião com profundidade. Fez do microfone sua trincheira e, da comunicação, sua grande batalha.
Foi diretor de Jornalismo da TV Sergipe, secretário de Comunicação Social do Estado, fundador de veículos que marcaram época, como o Jornal do Dia, a Jovem Pan Aracaju, a Nova Brasil FM. Comandou programas como o Transamérica Notícias e o Nova Manhã, marcou presença no Balanço Geral, no Cidade Alerta… Onde havia notícia, André deixava sua marca. E que marca. Mais do que um comunicador, André era um construtor da imprensa sergipana. Tinha voz, tinha visão, tinha coragem. Era crítico, mas justo. Era político, mas íntegro. Era intenso e, por isso, inesquecível.
Hoje, a redação amanheceu de luto. O rádio silenciou um pouco. A televisão baixou o tom. Os grupos de WhatsApp da imprensa viraram uma imensa sala de velório digital, com lágrimas, memórias e aquele silêncio que ninguém consegue preencher. O jornalismo sergipano perdeu dois dos seus melhores. Mas nós, que tivemos o privilégio de caminhar com eles, ganhamos histórias, aprendizados e lembranças que não cabem em manchetes.
Fica aqui meu abraço apertado à família de Mônica, às filhas, aos colegas que hoje sentem essa dor tão coletiva. Fica também meu silêncio respeitoso aos filhos, à esposa e à família de André, que tanto dividiram o pai com o ofício mais bonito e mais exigente do mundo.
Hoje, Sergipe não perdeu apenas dois jornalistas. Perdeu duas referências. Dois pilares. Dois amigos. Mas, como Mônica costumava dizer, com aquele ar místico e generoso que era só dela: “A vida continua no mundo invisível”. E, no nosso mundo visível, a saudade é eterna, mas a gratidão, maior ainda. Descansem em paz, Mônica Dantas e André Barros. O jornalismo sergipano jamais esquecerá de vocês.





Uma resposta
Muito bom e verdadeiro!!!