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Messi voa, Haaland decola e Cristiano Ronaldo cochila

A Copa segue provando que talento decide jogo, mas distração também. Enquanto Messi coleciona recordes, Haaland distribui gols e Kane serve espetáculo, Portugal resolveu tirar uma soneca no meio da partida e a RD Congo agradeceu. No Mundial, quem pisca perde. Quem cochila empata.

Kane serve chá, gols e classificação – A Inglaterra estreou como quem chegou na Copa dizendo: “licença, o chá agora é com gols”. Harry Kane marcou duas vezes, Bellingham e Rashford completaram, e a Croácia saiu derrotada por 4 a 2 num jogaço em Dallas. Kane fez gol, armou jogada, ajudou na defesa e quase vendeu pipoca no intervalo. Foi uma atuação completa. A Croácia até empatou duas vezes, mas a Inglaterra voltou para o segundo tempo como quem lembrou que favoritismo não é enfeite de prateleira.

Luis Díaz abre a copa no buffet colombiano – A Colômbia estreou na Copa com Luis Díaz em noite de garçom, artilheiro e dono do buffet. O Uzbequistão até tentou organizar a casa com a assinatura defensiva de Cannavaro, mas futebol é cruel: você arruma a sala, passa pano, fecha a porta… e vem um colombiano pela janela. Vitória por 3 a 1, com direito a gol histórico dos uzbeques e lembrete básico: estrear em Copa é lindo, mas estrear contra quem tem Luis Díaz inspirado é quase chegar atrasado ao próprio sonho.

Gana vence no apagar das luzes – Gana e Panamá fizeram aquele jogo que parecia reunião de condomínio: muita vontade, pouca poesia e todo mundo esperando alguém resolver no fim. E resolveu. Aos 49 do segundo tempo, Caleb Yirenkyi apareceu para marcar o gol da vitória ganesa por 1 a 0. O Panamá atacou, tentou, insistiu, mas faltou transformar coragem em bola na rede. No futebol, entusiasmo ajuda; mas se entusiasmo fizesse gol, discurso de técnico ganhava Chuteira de Ouro.

Portugal relaxa e congo belisca o bolo – Portugal começou ganhando da RD Congo, relaxou e terminou no empate. João Neves fez gol, foi eleito o melhor em campo e depois explicou que a equipe “relaxou”. Aí está o problema: em Copa do Mundo, relaxar depois de abrir o placar é igual cochilar em audiência de custódia — quando acorda, já perdeu o controle da situação. Cristiano Ronaldo foi elogiado, Portugal disse que sai fortalecido, e a RD Congo saiu com aquele sorriso de quem entrou convidada e comeu o bolo da festa.

Brasil contra o Haiti: cem Soberba, pelo amor de Deus – O Brasil olha para o Haiti e ouve o alerta: nada de soberba. E o aviso faz sentido. O Haiti foi goleado por Curaçao nas eliminatórias, sim, mas Copa do Mundo adora transformar favorito distraído em meme internacional. Curaçao levou 7 a 1 da Alemanha, mas já meteu 5 a 1 no Haiti. Ou seja: nesse grupo, todo mundo tem trauma, currículo e um parente distante do 7 a 1. Melhor o Brasil jogar sério, porque camisa pesa, mas não marca gol sozinha.

Messi ainda não leu o aviso da aposentadoria – Messi estreou fazendo três gols contra a Argélia e resolveu brincar de museu vivo. Hat-trick, recorde, emoção e mais uma página na história. Aos que achavam que ele iria apenas desfilar em sua sexta Copa, o argentino respondeu com três gols e cara de quem ainda não recebeu o memorando da aposentadoria. A Argélia entrou no jogo; Messi entrou na eternidade. De novo.

Haaland chega, marca e assina a ata – Haaland precisou de 28 minutos para fazer seu primeiro gol em Copas. Aos 43, já tinha feito o segundo. A Noruega voltou ao Mundial depois de 28 anos e trouxe um cometa de chuteira, cabelo preso e vocação para estragar estratégia adversária. O Iraque ainda marcou seu gol, mas enfrentou aquele tipo de centroavante que não participa muito da conversa — só aparece no fim para assinar a ata e levar os três pontos.

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