Fábio Mitidieri resolveu virar a chave — ou pelo menos fingir que sim. Declarou publicamente que vai de Lula em 2026, mas quando o assunto é apoiar Rogério Carvalho ao Senado, a conversa muda de tom. A relação entre o governador de Sergipe e o PT virou uma dança desconfortável: de um lado, a federação quer união; do outro, Mitidieri só estende a mão até onde lhe convém.
Lula sim, Rogério não
Mitidieri fez questão de avisar: vai fazer campanha pra reeleição de Lula. Sim, com foto, palanque e até sorriso. Mas ao mesmo tempo deixou claro que Rogério Carvalho não terá seu apoio para tentar voltar ao Senado. A justificativa? “Não estamos na mesma federação.” Tradução: não engoli a derrota de 2022 e não vou dividir capital político com quem me atacou publicamente naquela eleição.
O curioso é que essa recusa acontece justamente quando Rogério acaba de se consolidar como presidente do PT em Sergipe, com 75% dos votos na eleição interna. Ou seja, é ele quem vai ditar o tom da legenda no estado — e, ainda assim, foi barrado com gosto pelo governador.
A rusga não cicatrizou
Pra quem esqueceu, a disputa entre Mitidieri e Rogério em 2022 foi feia. Ataques pessoais, acusações e trocas de farpas públicas marcaram a corrida pelo governo estadual. Agora, o governador parece disposto a tudo, menos a fazer as pazes. O veto a Rogério não é uma divergência política: é uma recusa pessoal. E Mitidieri não faz questão nenhuma de esconder isso.
Enquanto afaga Lula, mantém distância cirúrgica do PT sergipano. A velha tática do “apoio segmentado”: um abraço em Brasília, um empurrão em Aracaju.
Outras peças no tabuleiro
Mitidieri não está apenas dizendo “não” a Rogério — está escalando outros nomes para o jogo. Já sinalizou simpatia por Márcio Macêdo, atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência, e por André Moura, ex-deputado federal. Ou seja, tem suas próprias apostas para a vaga no Senado e não vai ceder espaço ao petismo local.
E isso manda um recado direto ao PT: se quiser manter a aliança, terá que engolir a ausência de Rogério no jogo majoritário. Um acordo sem Rogério é possível. Com Rogério, nem começa a conversa.
PT dividido, Mitidieri confortável
A nova direção do PT em Sergipe representa um racha com setores que queriam uma aproximação institucional com Mitidieri. Márcio Macêdo e Eliane Aquino, por exemplo, defendiam essa linha. Mas foram barrados pela maioria — o partido escolheu o confronto, não o afago. O problema é que, sem o apoio do governo estadual, a candidatura de Rogério ao Senado pode nascer isolada, sem tempo de TV, sem palanque, sem dinheiro.
Mitidieri, por sua vez, segue confortável. Tem o poder estadual na mão, o apoio do PSD nacional e agora, ao que tudo indica, a bênção de Lula, mesmo com veto declarado ao nome do PT local.
Jogada fria ou fogo cruzado?
A dúvida que fica é: até que ponto Mitidieri vai conseguir equilibrar esse jogo? Apoiar Lula enquanto combate o PT local pode funcionar no curto prazo, mas corre o risco de incendiar pontes que, uma hora ou outra, ele pode precisar atravessar. E Rogério, por mais isolado que esteja agora, ainda é uma figura com base consolidada — e sabe jogar no contra-ataque.
Em política, o que hoje parece veto pode virar aliança. Mas por enquanto, o recado é claro: Mitidieri beija Lula, mas deixa Rogério esperando no altar.
Concluindo:
Sergipe já entendeu o recado: Mitidieri quer andar com Lula em 2026, mas não admite andar de mãos dadas com Rogério Carvalho. E o PT? Vai ter que decidir se engole esse veto calado ou se vai pro embate. O palco está montado — e ninguém quer sair como figurante nessa disputa.
E você, o que acha dessa costura política? Mitidieri está jogando alto ou cavando um isolamento? Comente, compartilhe e acompanhe o Portal Fausto Leite para mais análises provocativas como essa.
Fontes principais:
- Metrópoles
- Sergipense
- NE Notícias
- Cinform Online




