Moana Valadares (PL) é aquele tipo de vereadora que deixa claro, sem dizer uma palavra, quem está ali para legislar e quem está apenas para aparecer. Eleita com 7.216 votos, a mulher mais votada de Aracaju não tem tempo para fazer pose: trabalha. E isso, acredite, tem causado certo desconforto entre colegas que confundem mandato com estúdio de gravação.
Enquanto alguns passam horas escolhendo o melhor filtro para o “bom dia, Aracaju” nos stories, Moana começa o dia com pilhas de documentos e reuniões. Logo de cara, apresentou 22 projetos de lei e não, não eram pautas cosméticas para agradar curtidas fáceis. Eram propostas que exigiam estudo técnico e mexiam em temas que muitos evitam porque dão trabalho real: educação, inclusão social e valores familiares.
Nos bastidores da Câmara, comenta-se que Moana virou um “problema elegante” para a ala dos discursos vazios. Ela ocupa o microfone sem gritar, fala pouco, mas quando fala, é cirúrgica. E o que mais irrita quem gosta de lacrar é que Moana, com sua postura calma, ganha mais atenção e respeito do que quem sobe na tribuna achando que está em um comício.
Um exemplo recente foi a polêmica da Loteria Municipal. Enquanto alguns vereadores deram cambalhotas verbais tentando agradar os dois lados, Moana foi reta e clara: foi contra desde o primeiro minuto. Quando o veto da prefeita Emília Corrêa foi confirmado, ela comemorou com uma frase que virou comentário nos corredores: “É uma vitória da coerência e do bom senso.” Tradução veneno chic? Coerência não se improvisa, ou você tem, ou fica tentando explicar depois.
E não foi a única vez que Moana desfilou competência onde muitos patinam. No projeto da escola cívico-militar, enquanto vereadores ainda repetiam frases de efeito, ela já tinha ido a Brasília, conversado com especialistas e voltado com dados concretos. Quem acompanha os bastidores sabe que isso causou certo desconforto em alguns gabinetes: afinal, nada mais incômodo do que uma colega que aparece com números quando o assunto da maioria é só opinião.
Moana também tem algo que falta em boa parte do guarda-roupa político local: maturidade. Cobra quando deve, reconhece quando é justo. Foi firme ao exigir políticas para pessoas com Transtorno do Espectro Autista e, ao mesmo tempo, elogiou a criação da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência. E isso, pasmem, gera mais respeito do que curtidas em postagens ensaiadas.
Nos corredores, já virou piada elegante: “Moana trabalha enquanto outros ensaiam hashtags.” E é verdade. Ela é o tipo de parlamentar que chega cedo, estuda, debate com embasamento e sai do plenário de cabeça erguida, enquanto alguns saem correndo para editar reels.
Moana Valadares mostra que é possível ser cristã sem ser proselitista, conservadora sem ser retrógrada e firme sem ser arrogante. E se a nova safra de vereadores quiser um conselho, aqui vai um, servido em bandeja de prata: menos ring light, mais trabalho. Menos stories, mais Moana. Porque competência, diferentemente de filtros, não tem como disfarçar, ou você tem, ou não tem.
E antes que perguntem: sim, esta jornalista que escreve aqui é fã assumida de Moana Valadares. Porque, em tempos de vaidade excessiva e promessas vazias, é um alívio ver que, pelo menos no plenário de Aracaju, existe alguém desfilando aquilo que realmente importa: resultados.




