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Morte de Ozzy Osbourne: o fim do “Príncipe das Trevas” é também o fim de uma era

Ozzy Osbourne morreu. E junto com ele, vai embora o último grito original do heavy metal. Aos 76 anos, o ex-vocalista do Black Sabbath e lenda absoluta do rock partiu cercado pela família, dias depois de encerrar a carreira num palco em Birmingham — exatamente onde tudo começou.

Conveniente? Poético? Talvez. Mas no fundo, Ozzy nunca seguiu roteiro nenhum. Foi expulso do Sabbath no auge, mordeu morcego no palco, levou reality show para dentro do inferno e, de quebra, vendeu mais de 100 milhões de discos. Tudo isso sem nunca saber ler partitura. Nem precisava.

A última nota do Sabbath

Ozzy morreu no dia 22 de julho de 2025, segundo comunicado da família divulgado por veículos internacionais como PeopleAFP e Rolling Stone. A causa da morte não foi revelada oficialmente, mas há anos o músico enfrentava o mal de Parkinson, uma série de cirurgias na coluna e limitações severas de mobilidade.

A despedida não poderia ser mais simbólica: no começo de julho, ele subiu pela última vez ao palco durante o festival beneficente “Back to the Beginning”, no estádio Villa Park, em Birmingham — berço do Sabbath e do próprio Ozzy. Sentado em um trono (literalmente), ele cravou sua lenda em voz embargada e olhos marejados diante de 42 mil fãs.

Ali, mesmo imóvel, Ozzy reinava.

De aprendiz de encanador ao arquétipo do metal

Nascido em 1948, em um subúrbio operário da Inglaterra, Ozzy foi tudo o que se espera de alguém que tinha tudo para não ser nada. Saiu da escola aos 15, passou por empregos medíocres e pela cadeia, até encontrar no som pesado dos anos 70 sua única religião.

Em 1968, formou o Black Sabbath com Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward. A banda não inventou o heavy metal — ela definiu o que ele seria. Canções como ParanoidWar Pigs e Iron Man viraram hinos instantâneos de um novo som: mais sujo, mais sombrio, mais verdadeiro.

A fase com o Sabbath rendeu oito álbuns até 1979, quando Ozzy foi demitido por “excesso de loucura” — veja só o nível do absurdo — e afundou num abismo de drogas e alcoolismo. Mas ali começava o seu segundo ato.

Crazy Train, reality show e renascimento eterno

A volta triunfal veio com o álbum Blizzard of Ozz (1980), que trouxe faixas como Crazy TrainMr. Crowley e Suicide Solution. Em vez de morrer, Ozzy voltou ainda mais barulhento. O guitarrista Randy Rhoads, morto precocemente em 1982, virou lenda junto com ele.

Na década seguinte, vieram mais hits — Bark at the MoonNo More TearsMama, I’m Coming Home — e turnês milionárias que consolidaram seu posto como um dos maiores ícones vivos do rock.

Nos anos 2000, virou meme antes dos memes: estrelou o reality The Osbournes, que levou sua família para a MTV e seu jeito “bêbado e sincero” para o mundo todo. Se você não gostava de heavy metal, ainda assim conhecia Ozzy. Ele era o metal.

Um legado barulhento demais pra morrer

Ozzy não foi só um cantor. Ele foi um ícone, um arquetipo, um exagero. E foi justamente isso que o tornou insubstituível. Mesmo doente, mesmo com voz fragilizada, ele seguiu em frente. Em 2022 lançou o álbum Patient Number 9 e em 2024 entrou no Rock and Roll Hall of Fame como artista solo, além da já consagrada entrada com o Sabbath.

Vendeu mais de 100 milhões de álbuns, influenciou todas as gerações do metal e deixou um rastro de caos, genialidade e humanidade que ninguém vai conseguir replicar.

A morte de Ozzy Osbourne não é apenas o fim de um artista. É o fim de uma era onde os excessos não eram escândalo — eram estilo de vida. Onde se podia ser louco, contraditório e ainda assim necessário.

Descanse em barulho, Príncipe das Trevas.


5 músicas de Ozzy para ouvir agora (e sempre)

  1. Crazy Train – um hino sobre insanidade e Guerra Fria.
  2. Mr. Crowley – flerte com o ocultismo em forma de solo.
  3. Mama, I’m Coming Home – a balada que fez metaleiro chorar.
  4. No More Tears – groove sombrio e refrão imortal.
  5. Paranoid (com o Sabbath) – dois minutos e meio de perfeição.


Qual é sua música preferida do Ozzy? Já viu ele ao vivo? Deixa nos comentários e compartilha essa homenagem com quem cresceu ao som desse mito.


Fontes Principais

AFP, CartaCapital, Rolling Stone, Wikipedia, CNN Brasil, The Guardian, People, Loudwire

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