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Na campanha, adversários. Na disputa pelos cargos, a conversa já é outra!

A eleição mal terminou e Brasília já abriu o salão de festas da conveniência. O PL, com 121 deputados previstos para 2027, discute apoiar a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Câmara. No palanque, adversários; na disputa por cargos, quase padrinhos de casamento. Valdemar Costa Neto defende negociar, enquanto uma ala resiste à aproximação com um presidente apoiado pelo PT. A reunião foi marcada para 3 de novembro. Nada de acordo fechado: por enquanto, o abraço é só ensaio, e a fotografia ainda depende do preço político.

O prêmio está nas comissões. A CCJ interessa ao PL, e Nikolas Ferreira aparece nas articulações. Finanças, fiscalização e outras cadeiras também têm peso, mas não há distribuição acertada e comprovada. O regimento prevê proporcionalidade entre partidos e blocos. Traduzindo: no Congresso, número de deputados é senha de entrada, mas bloco político pode decidir quem chega primeiro ao bufê. Comissões fiscalizam gastos, convocam autoridades e influenciam projetos. Por isso a pergunta importa: negociarão representação parlamentar ou também o volume das cobranças ao governo?

A federação PT, PCdoB e PV anunciou apoio a Motta em 27 de outubro, enquanto o PL avalia entrar na mesma órbita. É o espetáculo do condomínio: todos querem a cobertura, mas ninguém aceita dividir o elevador com o vizinho. A articulação de 15 partidos somaria 354 deputados em projeção, não votos garantidos numa eleição secreta. Tampouco há prova de troca de cargos por silêncio parlamentar. Justamente por isso convém exigir nomes, critérios e compromissos públicos, em vez de depender da fofoca bem-vestida dos corredores.

No Senado, o PL também mira o comando da Casa e movimenta o nome de Rogério Marinho diante da articulação de Davi Alcolumbre. São disputas distintas, embora façam parte da mesma temporada de poder. Conversar entre adversários é legítimo; esconder o conteúdo da conversa, nem tanto. Se o acordo é institucional, publiquem as regras. Se envolve prioridades legislativas, mostrem o programa. O eleitor não comprou ingresso para assistir à ‘Dança das Cadeiras’ com salário público e figurino de oposição. Quer saber quem vai fiscalizar quem, e com qual independência.

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