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Neto Batalha e o salto curioso: desistiu da estadual e apareceu na federal

Neto Batalha entrou na Alese em 2022 com 14.990 votos, saindo da Câmara de São Cristóvão direto para o mandato estadual, embalado pelo sobrenome, pela estrutura familiar e pela velha engenharia política de Armando Batalha, aquele tipo de operador que parece contar voto até pelo barulho da sandália chegando no comitê. Na Assembleia, teve atuação, apresentou projetos, aprovou leis e tratou de pautas como saúde, educação inclusiva, cultura, proteção social e desenvolvimento regional. Não foi mandato vazio. Mas também não foi terremoto político. Foi mais aquele ventilador de repartição pública: gira, faz barulho, refresca um pouco, mas ninguém sai dizendo que mudou o clima de Sergipe.

O trunfo de Neto é a família organizada. Tem pai experiente, esposa prefeita de Itabi, Gabi de Lica, eleita com 56,38% dos votos válidos, grupo montado e agora abrigo no PSD do governador Fábio Mitidieri. É capital político de primeira prateleira. O problema é que capital político é igual dinheiro em feira de domingo: se gastar errado, antes do meio-dia já virou pastel, caldo de cana e promessa fiada. Neto tem estrutura, mas precisa provar que estrutura não é só andaime bonito segurando obra que ninguém terminou.

A parte mais engraçada, para não dizer acrobática, foi a pirueta eleitoral. Em dezembro de 2025, Neto anunciou que não seria candidato à reeleição, falando em cansaço, saúde e família. Meses depois, apareceu de tênis novo, filiado ao PSD e pré-candidato a deputado federal. Aí Sergipe inteiro olhou para a cena e pensou: “oxente, se a Alese cansava, Brasília virou spa?” É como o sujeito dizer que não aguenta subir a ladeira da padaria, mas aceita correr maratona porque o Palácio ofereceu camisa, número no peito e água mineral no percurso.

A leitura política é inevitável: Neto pode estar entrando menos como projeto pessoal consolidado e mais como peça de montagem da chapa governista. Pode surpreender? Pode. Política em Sergipe já viu jegue ganhar corrida porque o cavalo tropeçou na largada. Mas a pergunta fica rodando no ouvido do eleitor: Neto Batalha vai disputar para vencer ou para carregar tijolo na obra dos outros? Porque o sergipano pode rir, pode ouvir discurso e pode até bater palma em filiação bonita. Mas, na hora da urna, ele pergunta sem cerimônia: “meu filho, isso aí é candidatura de verdade ou só figuração premium no palanque do governo?”

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