Coronel Rocha entrou no debate interno do PL de Sergipe com a firmeza de quem conhece hierarquia, disciplina e ordem unida. O problema é que partido político não é batalhão, pré-candidato não é recruta e urna eletrônica não bate continência. Ao defender que quem não apoiar integralmente a chapa majoritária do partido não deveria sequer ter legenda ou fundo eleitoral, Rocha colocou lenha numa fogueira que já estava acesa. E colocou com gasolina, fósforo e manual de campanha escrito em linguagem de quartel.
É legítimo que o PL queira unidade. Todo partido sonha com chapa alinhada, discurso afinado e candidato marchando no mesmo compasso. No caso sergipano, o campo ligado ao partido trabalha nomes como Ricardo Marques para o governo, Rodrigo Valadares e Coronel Rocha para o Senado e Flávio Bolsonaro para a Presidência. Isso está posto na propaganda partidária e nas movimentações públicas do grupo. Mas uma coisa é defender coerência partidária. Outra é tratar divergência política como deserção em tempo de guerra.
A política, especialmente a política de Sergipe, é mais parecida com feira livre do que com formatura militar. Tem gente que apoia um nome para presidente, outro para governador, outro para senador e ainda toma café com adversário no fim da tarde. Pode ser bonito? Nem sempre. Pode ser confuso? Quase sempre. Mas é assim que o jogo funciona. Tentar encaixar a política sergipana num Regulamento Disciplinar do Exército é como querer organizar fila de milho na fogueira de São João. Na teoria fica lindo. Na prática, cada um corre para salvar sua espiga.
Luciano Pimentel virou exemplo dessa tensão. Ele está no PL, mas declarou apoio ao governador Fábio Mitidieri, segundo registros recentes da imprensa local. Para Rocha, isso não combinaria com a lógica partidária. Para outros, é apenas a expressão da política real, feita de alianças locais, compromissos pessoais, bases municipais e sobrevivência eleitoral. O eleitor pode até cobrar coerência, e deve cobrar. Mas coerência se constrói com diálogo, não com ordem do dia.
O risco do discurso de Rocha é transformar o PL num partido de porta estreita demais. Quem pensa diferente sai, quem apoia parcialmente sai, quem conversa com outro grupo sai, quem não grita no volume exigido sai. Desse jeito, daqui a pouco sobra apenas a corneta tocando sozinha no diretório. Partido forte não é aquele que expulsa todo mundo que diverge. Partido forte é aquele que sabe organizar diferenças sem virar condomínio em assembleia de briga por vaga de garagem.
Dito isso, Coronel Rocha merece respeito. É uma figura pública de posição clara, fala direta, perfil firme e compromisso assumido com o campo político que representa. Sua franqueza pode ser virtude num ambiente onde muita gente fala “vamos conversar” querendo dizer “vou esperar quem oferece mais”. Mas, neste ponto, ele erra no tom e no método. Política não é quartel. Partido não é pelotão. E voto, por mais que alguns tentem, ainda não obedece comando de voz. “PL ao meu comando: sentado um, dois… de pé um, dois…”. Partido não é isso Rocha!




