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O bolsonarista raiz que Pitoco farejou em Itabaiana

Prepare o café, ajeite a cadeira e venha assistir a essa comédia eleitoral com cheiro de feira de Itabaiana, bandeira do Brasil no retrovisor e o grito clássico: Luizão Dona Trampi, pé embaixo. Luizão é uma das figuras mais folclóricas da política sergipana. Mecânico, itabaianense, bolsonarista de primeira hora, fenômeno de rede social e dono de um estilo que parece mistura de carreata, stand-up e grupo de WhatsApp às seis da manhã. Em 2018, tentou deputado federal na onda Bolsonaro e apareceu com mais de 35 mil votos, mas a candidatura ficou presa no cartório jurídico. Em 2022, foi mais esperto: desceu para deputado estadual, pegou uma pista mais curta e chegou à Assembleia com 18.291 votos. Ganhou o mandato. Só faltou transformar o personagem em parlamentar de grande entrega.

Mas sejamos justos: bolsonarista raiz, Luizão é. Se Pitoco, o cachorro de João Marcelo, filho de Déda, fosse solto para farejar conservador de verdade, passaria por muito patriota de ocasião, muito valentão de internet, muito direitista de janela partidária e muito bolsonarista que muda de lado quando sente cheiro de verba. Mas quando chegasse em Luizão, Pitoco parava, abanava o rabo e latia com convicção: esse aí é raiz, esse não veio de laboratório, esse late Bolsonaro até se faltar energia. Luizão pode ser exagerado, barulhento, engraçado, teatral e às vezes mais personagem do que deputado, mas falso bolsonarista ele não é. É do tipo que entra na política com o motor ligado e a buzina quebrada.

Agora vem a parte boa da novela: Luizão vai tentar deputado federal pelo PL. Aí o eleitor já pode pegar a pipoca, porque a disputa promete. O PL tem Moana Valadares como grande aposta do grupo de Rodrigo Valadares para tentar surfar no voto bolsonarista. Luizão, nesse roteiro, parece mais aquele personagem querido que entra no filme para animar a plateia, fazer barulho, levantar poeira e ajudar a legenda. Porque sejamos sinceros: para deputado estadual, Luizão teria uma estrada bem mais tranquila. Já tem mandato, base, lembrança e voto conhecido. Para federal, a pista é outra, o buraco é mais fundo e a matemática eleitoral não ri de piada. Sergipe só elege oito federais. Não basta ser engraçado, querido e raiz. Tem que ter voto, legenda e coeficiente.

O desafio é repetir os mais de 35 mil votos de 2018, quando Bolsonaro era tsunami e até santinho mal cortado pegava onda. Hoje o mar é diferente. O bolsonarismo sergipano tem dono, síndico, porteiro, zelador e grupo de família. Moana chega com estrutura, sobrenome político, articulação e a tentativa de ser a cara mais organizada do PL para federal. Luizão chega com carisma, bordão, autenticidade e aquele jeito de quem parece que vai pedir voto e vender pneu no mesmo discurso. Pode crescer? Pode. Pode surpreender? Pode. Mas também pode acabar fazendo o papel de puxador de legenda: corre, grita, sua, grava vídeo, anima a militância e, no fim, descobre que ajudou a cadeira chegar para outro sentar.

Na Assembleia, Luizão não foi invisível. Apresentou projetos, falou de segurança, saúde, proteção animal e pautas conservadoras. Mas também não dá para vender o mandato como se fosse uma revolução. Foi mais figura popular do que força parlamentar. Mais simpatia do que protagonismo. Mais bordão do que entrega histórica. O povo gosta dele porque Luizão é autêntico, engraçado e não parece fabricado por marqueteiro com gel no cabelo. Mas gostar não é o mesmo que achar que ele mudou Sergipe. Agora, com o pé embaixo rumo à Câmara Federal, a pergunta é simples: Luizão vai para Brasília ou vai apenas ajudar Moana e o PL a fazer conta? Pitoco já farejou o bolsonarismo raiz. Falta saber se a urna vai farejar voto suficiente.

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