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O Brasil na rota do abismo tributário

O Governo Federal colocou na mesa três novas formas de aumentar impostos. O recado é direto: em vez de cortar gastos e enfrentar o problema estrutural das contas públicas, Brasília insiste na saída mais fácil, transferir a conta para investidores, empresários e cidadãos comuns. O ciclo se repete, a engrenagem fiscal continua viciada, e o Estado segue incapaz de administrar os próprios recursos.

O primeiro alvo são os investidores. Até agora, aplicações em LCIs e LCAs, que financiam o agronegócio e a infraestrutura, eram isentas de impostos. Essa política tinha lógica: incentivar setores estratégicos, capazes de gerar empregos e impulsionar o crescimento econômico. A nova proposta cria uma taxação de 5% sobre os ganhos. O efeito será imediato: menos recursos para o campo, menos investimentos em estradas e obras de infraestrutura. Num país que já investe pouco em logística, trata-se de um retrocesso que mina a confiança de quem ainda acredita no futuro do Brasil.

O segundo golpe recai sobre as empresas. No regime de lucro presumido, especialmente usado por setores de serviços, a base de cálculo é fixada em 32% do faturamento, independentemente do lucro real. Um sistema já pesado e muitas vezes injusto. Agora, um deputado aliado ao governo propõe elevar essa base para 35,5%. A consequência é inevitável: maior carga tributária, que será repassada ao consumidor em forma de preços mais altos. É inflação disfarçada de política fiscal, mais um entrave à competitividade e um novo fardo para o empreendedor que tenta sobreviver em um ambiente já sufocante.

A terceira medida vem da própria Receita Federal, que alterou a base de cálculo do IPTU. Até agora, era considerado o valor venal do imóvel, o que garantia algum equilíbrio. A partir de agora, o cálculo passa a usar o valor de mercado. Isso significa que qualquer bairro que se valorize verá o imposto disparar. Para a classe média, manter um imóvel se tornará ainda mais oneroso. E não para por aí: essa mudança também impacta o ITCMD, imposto sobre heranças e doações. Com a base inflada, famílias que lutaram por anos para construir patrimônio verão parte dele ser drenada pelo fisco na hora da sucessão.

O resumo é cristalino. Duas propostas têm enorme chance de aprovação, movidas pela fome arrecadatória de um governo que já prepara terreno para financiar a eleição de 2026. A terceira já está oficializada e começa a valer no próximo ano. A realidade brasileira parece cada vez mais resumida a duas palavras: censura e imposto — muitas vezes os dois ao mesmo tempo.

E aqui vai um alerta direto aos sergipanos, que convivem diariamente com os altos custos de um Estado de economia frágil e oportunidades escassas. É hora de perceber o que está em jogo. Cada novo imposto não é apenas uma decisão distante publicada no Diário Oficial. É o preço da feira que aumenta, a conta de luz que aperta, o aluguel que encarece, o pequeno comércio que fecha as portas. É o sonho da casa própria que se afasta, é o emprego que deixa de ser gerado, é a vida que fica cada vez mais cara.

O país está sendo empurrado para um abismo tributário. Não há limite para a criatividade arrecadatória do governo, mas existe um limite real e cruel para quem paga a conta: o contribuinte. Se não houver reação, se aceitarmos passivamente essa escalada, o futuro será uma espiral de estagnação e descrença. O Brasil não precisa de mais impostos. Precisa, sim, de responsabilidade com o dinheiro público.

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