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O Brasil não explora o trabalho. Ele tributa até sobrar nada

O brasileiro acha que ganha 10 mil reais. Acha. No papel, é bonito. Na vida real, é ficção científica. Porque dos 10 mil, o Estado chega primeiro. Desconta imposto, contribuição, taxa, sigla e mais um pedaço “para o seu bem”. Resultado: o sujeito recebe algo perto de 6,5 mil na mão. Palmas. Só que a história nem começou.

Agora vem a parte que ninguém gosta de explicar. Para pagar esses 10 mil ao funcionário, a empresa desembolsa quase 19 mil. Isso mesmo. O trabalhador custa 19, recebe 6,5 e ainda agradece. No meio do caminho, o Estado ficou com a maior parte, sem ter produzido um parafuso, vendido um pão ou assumido um risco sequer.

Mas calma, porque sempre dá para piorar. Dos 6,5 mil que sobraram, metade vai embora de novo quando você consome. Gasolina, comida, roupa, remédio, luz, internet. Em média, 50% do que você compra é imposto embutido. Invisível, sorrateiro, eficiente. Quando você percebe, dos 6,5 sobraram uns 3,2 mil. O salário de 10 virou troco. A mágica está feita.

Aí entra o golpe final, aquele que dói. Com esses 3,2 mil, você paga IPTU, IPVA, taxa disso, taxa daquilo. E paga escola particular, porque a escola pública entregue pelo Estado é, na melhor das hipóteses, uma promessa. Paga plano de saúde, porque o SUS, coitado, vive em modo de sobrevivência. Ou seja: você paga duas vezes. Pagou imposto para ter serviço público e paga de novo porque o serviço não funciona.

Isso não é solidariedade social. Isso é um sistema de espoliação com discurso fofo. Não é o empresário que escraviza o trabalhador médio brasileiro. É o sistema. Um sistema que se apresenta como protetor, amigo, cuidador. Mas amigo que leva mais de 70% do que você produz e ainda te chama de privilegiado não é amigo. É inimigo bem vestido.

Quando as pessoas entendem isso, algo muda. Elas param de brigar entre si por migalhas e começam a olhar para quem realmente está sentado na mesa comendo o bolo inteiro. O problema do Brasil não é falta de imposto. É excesso de Estado ineficiente, caro e voraz. Enquanto isso não ficar claro, o trabalhador vai continuar achando que ganha 10 mil, custando 19, vivendo com 3 e sendo chamado de “beneficiário”. Isso sim é ironia cruel.

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