A urna fechou, mas o bafafá foi bater à porta da delegacia. O advogado Josefhe Pereira Barreto registrou boletim de ocorrência contra o vereador Lúcio Flávio (PL), depois de o parlamentar afirmar, numa transmissão ao vivo, que apoiadores de Lula fizeram “pacto até com o diabo” para vencer a eleição. Josefhe viu possível intolerância e racismo religioso. O leitor imagine a cena: o político fala, o advogado denuncia e o capeta, convocado sem aviso, parece reclamar: “Ô, meu povo, eu não assinei pacto nenhum! Me deixem fora dessa confusão!” A fala do personagem, claro, é brincadeira desta coluna; a ocorrência policial é real.
E Josefhe já sabe o caminho das manchetes. Em junho de 2025, ao reagir a ataques por defender um acusado no caso da morte da menina Layla Sofia, ele gravou vídeo dizendo que iria ao Forró Caju tomar cerveja e uísque. Houve indignação nas redes, a OAB/SE anunciou medidas administrativas e o advogado depois pediu desculpas, afirmando que não quis ofender a família da criança. Já havia denunciado uma suposta abordagem truculenta da PM em 2024. Agora, quando parte do público imaginava uma reta final de ano sem novo capítulo dessa novela, Josefhe ressurgiu em cena. Nem o tinhoso conseguiu ficar de fora do elenco!
E tem números nessa disputa, meu caro leitor. Nas eleições para vereador de Aracaju em 2024, Josefhe, pelo PT, recebeu 550 votos e ficou na 128º. colocação; Lúcio Flávio, pelo PL, foi eleito com 3.847. São 3.297 votos de diferença, mas urna não é tribunal: tamanho de votação não decide quem tem razão numa ocorrência. O vereador pode sustentar que recorreu a uma hipérbole política, não a um ataque a uma religião específica. Josefhe pode alegar que o contexto lhe pareceu discriminatório. A diferença entre grosseria, crítica dura e crime exige vídeo completo, contexto e prova, não apenas torcida e meme.
No fim, quem ficou no meio do fogo cruzado foi o próprio diabo, que, nesta sátira, já pede direito de resposta: “Eu estava quietinho, e vocês me arrastaram para a política de Aracaju!” Brincadeiras à parte, o boletim precisa ser apurado, o vereador deve ter espaço para esclarecer a declaração e o advogado para apresentar seus fundamentos. Até aqui, não há confirmação pública de condenação por esse episódio. Que a polícia analise os fatos com seriedade e que o leitor guarde o riso para o teatro político, não para a intolerância religiosa. Porque, se cada frase virar sentença e cada live virar tribunal, o inferno vai acabar pedindo férias.




