Oi, gente! Eu sou Joana Leite, tenho 19 anos e tô no segundo período de Direito na Faculdade 8 de Julho. Meus pais sempre foram bem exigentes, então eu cresci naquela rotina toda certinha. Estudei no Colégio do Salvador desde que tinha 2 anos e só saí de lá aos 13. Depois fui pro Máster e pro Amadeus, então vocês já imaginam o nível de disciplina que eu encarei, né?
O Salvador… Ah, o Salvador! Aquele colégio era quase um quartel! Eu não tô brincando. A rigidez era tão grande que parecia coisa de filme de época. O uniforme era uma ciência exata: farda certinha, short ou saia do próprio colégio, tênis branco com detalhes só em vermelho, preto ou azul-marinho, e meia branca aparecendo. Não tinha isso de “vou usar o que eu quero”, não! Se aparecesse com algo fora do padrão, nem entrava na aula. E ainda levava bronca da direção.
A postura na sala de aula? Coluna ereta, olhar fixo pra frente e, pelo amor de Deus, nada de virar pro lado. Quando o professor entrava, a gente tinha que levantar como se fosse uma autoridade militar. Celular? Nem pensar! Nem no intervalo! Claro, sempre tinha um ou outro corajoso que tentava burlar essa regra, mas o medo de ser pego era real.
E tinha os “ícones” do Salvador: Irmã Zilda, Dona Bernadete e Dona Mariá. Eu só peguei a época da Dona Mariá, mas era o suficiente pra sentir aquele frio na barriga sempre que ela aparecia na porta da sala. Gente, o ar gelava, juro! Todo mundo ficava em silêncio mortal, com medo de fazer o mínimo barulho. Até as professoras ficavam tensas perto dela, porque só a presença dela já fazia a gente tremer. E não era só ela não! Os filhos dela, Marco Antônio e Bete, herdaram direitinho esse “dom” de meter medo na gente.
Olha, o Salvador foi tão rígido que eu ainda trabalho algumas questões na terapia até hoje. Eles eram extremamente exigentes com crianças, e às vezes parecia que esqueciam disso, que a gente era só criança! Eu sei que crianças fazem bagunça, erram, aprontam (até adulto faz isso, né?), mas o nível de disciplina era surreal.
Por outro lado, não posso negar que sou muito grata ao Salvador. Foi lá que eu aprendi uma das minhas maiores qualidades: a disciplina. Hoje, eu acordo todo dia às 6h30, vou pro estágio, estudo, vou pra faculdade e ainda encaro academia. Minha rotina é uma correria sem fim, mas eu dou conta. Claro, às vezes eu falho, porque ninguém é de ferro, né? Mas eu sempre me esforço pra cumprir minhas obrigações da melhor forma possível. E isso eu devo ao Salvador. Eles me ensinaram a ser responsável, organizada e dedicada.
Agora, preciso contar uma coisa que aconteceu outro dia. Saí do escritório do meu pai, que fica do lado do Salvador, e ouvi umas crianças cantando uma música… digamos… meio imprópria. Coisa de cunho sexual, sabe? Eu comecei a rir, porque, na minha época, isso era impensável! Lá no Salvador só tocava música de Carnaval, e daquelas bem filtradas! Nada de palavrão ou duplo sentido.
Fiquei tão chocada que comentei com minhas amigas, e a gente entrou numa nostalgia danada. Ao mesmo tempo, bateu aquela reflexão: o que aconteceu com o Salvador que a gente conheceu? Cadê aqueles valores, aquela disciplina rígida? Certeza que Dona Mariá deve estar se revirando no túmulo vendo isso!
E foi aí que eu percebi como as coisas mudaram. Aquele colégio que eu conheci, que era sinônimo de rigidez e disciplina, não existe mais. E, sinceramente? Nem sei se isso é bom ou ruim. Mas uma coisa eu sei: eu carrego o que aprendi lá pra vida toda. Pode ter sido rígido demais, mas me preparou pra encarar o mundo com responsabilidade.
Quem diria, né? A menina que tinha medo de levar bronca por usar meia errada hoje encara a faculdade, o estágio e a academia numa boa. Ah, Salvador… você me moldou, mas também me traumatizou! (Risos




