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O governador fala do que fez, Valmir pergunta quanto custa viver

Fábio Mitidieri chega às entrevistas com o inventário de quem governa: programas, equipamentos e promessas de ampliação. Valmir de Francisquinho chega com uma pergunta mais incômoda: quanto dessas entregas mudou a vida de quem espera atendimento, paga imposto e abre a torneira sem saber se terá água? O governador tem números para apresentar; o adversário procura saber se o sergipano encontra esses números fora do estúdio. Na feira de Itabaiana ou no ponto de ônibus de Aracaju, discurso bonito pode até render conversa. O eleitor, porém, costuma pedir a nota fiscal da promessa.

Na saúde, Fábio apresentou o Opera Sergipe, falou de novos procedimentos, de UTI e hemodiálise no sertão, de tomógrafos e da ressonância magnética instalada em Itabaiana. São afirmações específicas, que dão corpo à defesa da gestão. Mas também abrem espaço para a cobrança que Valmir sabe fazer: equipamento anunciado precisa funcionar, cirurgia oferecida precisa chegar a quem espera, e a experiência do paciente não cabe inteira numa relação de aparelhos. O governador monta a vitrine; o eleitor quer saber se a porta do atendimento abre quando ele precisa. 

Valmir foi especialmente certeiro ao levar a conversa para a carga tributária. Ao afirmar que “o empreendedor tem sofrido muito”, tocou num assunto que sai do gabinete e entra direto no caixa do comércio. Defendeu diálogo com os empresários, maior atuação do Banese e mencionou uma alíquota de ICMS de, no máximo, 17%. É uma intervenção politicamente forte porque troca o vocabulário das solenidades pela preocupação de quem precisa vender para pagar as contas. Para transformar a frase em política de governo, ainda terá de mostrar a quais operações a redução se aplicaria e como fecharia as contas do Estado. A força de Valmir está em fazer essa discussão começar pelo cidadão. 

O contraste fica mais agudo quando o assunto é a responsabilidade por serviços públicos. Valmir criticou a transferência de atribuições do gestor para empresas e sustentou que administrar é obrigação de quem foi eleito. É aí que seu discurso ganha potência: diante de um serviço ruim, o povo não quer assistir a um campeonato de empurra entre governo, concessionária e contrato. Quer solução. Fábio pode defender as escolhas de sua administração, mas precisa responder pelo resultado delas. O sergipano não elegeu um narrador para explicar de quem é a culpa; elegeu um governador para cobrar providências. 

Fábio também mostrou firmeza política ao comentar uma investigação envolvendo a Prefeitura de Aracaju. “Eu sou político, eu não sou polícia”, disse, ao defender que as instituições conduzam a apuração. A frase é boa de microfone e deixa clara sua posição. Ao mesmo tempo, um governador que comenta um caso envolvendo adversários precisa cuidar para que a defesa da investigação não vire sentença antecipada. Valmir, por sua vez, ganha mais quando concentra sua crítica no que o governo pode efetivamente entregar: atendimento, tributos, água e qualidade dos serviços. Nesse terreno, sua fala é mais próxima das cobranças que o eleitor leva para casa depois que o rádio desliga. 

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