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O governador na estrada e o povo ainda esperando água na torneira

Fábio Mitidieri intensificou a presença no interior de Sergipe nos últimos dias, com entregas em Riachuelo, Salgado e uma sequência recente de agendas por municípios como Itabi, Graccho Cardoso, Feira Nova, Nossa Senhora das Dores e Capela. É o tipo de agenda que todo governador gosta: faixa cortada, fotografia bonita, prefeito sorrindo, secretário explicando número e o povo olhando para ver se aquilo muda mesmo a vida ou se é só mais uma cena do teatro administrativo.

Em Riachuelo, o Governo entregou obras de infraestrutura urbana, incluindo reforma de praça, escadaria de acesso à imagem de Nossa Senhora da Conceição e intervenções de macro e microdrenagem. Em Salgado, no povoado Água Fria, inaugurou a reforma e ampliação do Destacamento da Polícia Militar, com investimento superior a R$ 203 mil. Segurança no interior é pauta séria, e reativar uma unidade policial tem valor concreto. O problema é que, em ano de véspera eleitoral, até solenidade de tomada nova vira mensagem política com microfone e trilha sonora.

A leitura institucional é simples: governo precisa entregar obra, e governador precisa estar presente. Isso faz parte do cargo. A leitura política também é simples: quanto mais a disputa de 2026 aperta, mais a estrada vira palanque e a inauguração vira termômetro. Não há ilegalidade automática nisso. Há política. E política, em Sergipe, não anda; desfila. Vai de município em município tentando dizer ao eleitor: “olhe para mim, eu estou aqui”. O detalhe é que o eleitor também olha para o que falta.

E o que falta ainda grita. Em várias regiões, a cobrança por água, abastecimento e regularidade dos serviços continua sendo um tema muito mais sensível do que qualquer placa de inauguração. O caso Iguá virou símbolo dessa dor urbana e metropolitana: falta de água não se resolve com discurso, nem com corte de fita, nem com foto em rede social. Quando a torneira seca, o marketing também desidrata. O povo pode até aplaudir obra, mas se chegar em casa e não tiver água, o aplauso vira resmungo.

Fábio Mitidieri tenta reforçar presença no interior num momento em que pesquisas mostram uma disputa aberta com Valmir de Francisquinho. Há levantamentos em que Fábio aparece numericamente à frente, e há pesquisas que colocam Valmir liderando. Isso significa que o governador não está passeando em campo vazio. Está disputando espaço, memória e confiança. E, nesse jogo, obra ajuda, mas não resolve tudo. O eleitor quer saber se a entrega chegou antes da necessidade ou apenas depois que a eleição começou a aparecer no retrovisor.

A agenda de interiorização pode render pontos se for percebida como política pública consistente. Mas pode perder força se parecer corrida de última hora para produzir imagem. Sergipe conhece essa novela. O governante passa três anos dizendo que está trabalhando em silêncio e, no quarto, descobre que o silêncio não vota. Aí vem a maratona de entrega, o colete, o capacete, a mão no ombro do prefeito e aquela frase clássica: “o trabalho não para”. Não para mesmo. Principalmente quando a urna começa a buzinar.

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